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Layout que vende: exposição de produtos no linear

Entender como o shopper se comporta no ponto de venda é o ponto de partida para aumentar vendas e margem

Retrato de Michel Jasper

Michel Jasper

Colunista

· 3 min de leitura

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Layout que vende: exposição de produtos no linear

O comportamento do shopper está em constante mudança. Entender como ele se comporta no ponto de venda é o ponto de partida para aumentar vendas e margem.

O shopper compra em média 3,7 vezes mais do que planejou. Se ele listou 10 itens, pode levar até 37. Cerca de 60% a 80% das compras são por impulso. Isso não é opinião, é dado.

A questão é: sua loja aproveita isso? Sua exposição está construída para capturar esse comportamento ou está no achismo?


Como o shopper compra — e por que isso define tudo

O cliente compra cada categoria de um jeito diferente. Essa forma de compra varia também pelo perfil do cliente, pela região e pelo modelo de negócio. Ignorar isso é montar gôndola pelo feeling.

Um exemplo concreto: a categoria de águas. Em apenas dois módulos é possível atender 8 perfis diferentes de compra, levando em conta comportamento de consumo, rentabilidade e volume de venda.

Águas sem gás tamanho familiar compra planejada para consumo em casa por alguns dias.

Águas com gás tamanho familiar público mais específico, mesma lógica.

Águas sem gás versão singleconsumo imediato ou curto prazo.

Águas com gás versão singleidem.

Águas saborizadas familiar e single segmento em crescimento, rentabilidade maior.

Água de coco categoria com crescimento consistente, exposta no nível de visão do cliente.

Tônica produto específico, bem posicionado no módulo de águas diferenciadas.

Note que as águas sem gás ocupam mais frentes porque representam 80% da venda da categoria. A posição das marcas leva em conta rentabilidade, percepção de preço e volume.


Níveis de percepção na gôndola

Nível dos olhos (1,60m): maior poder de conversão. Produtos que geram mais margem pertencem aqui.

Nível das mãos (1,40m): cliente precisa abaixar levemente a cabeça. Bom para produtos de alto giro.

Nível do solo: o cliente precisa se debruçar. Indicado para produtos de multiexposição e líderes por volume.


Aplicando a Árvore de Decisão: achocolatado em pó

Cada categoria tem critérios próprios que o shopper usa para decidir. No achocolatado, a lógica fica assim:

Na parte lateral esquerda, os produtos light com menos frentes, já que representam menor share de venda. No centro, a linha institucional com maior volume por embalagem, bem visível, pois induz a compra de maior quantidade. Na parte superior, a linha Premium no nível das mãos e dos olhos. Na parte inferior, o primeiro preço: o cliente que busca o mais barato leva mais tempo para decidir, então ao colocar na parte inferior ele primeiro enxerga as demais opções.

O líder de categoria ganha mais espaço porque representa mais venda. Simples.


Quando a Árvore de Decisão surpreende: fraldas

Na fraldas, se você perguntar para uma mãe qual o primeiro critério de compra, ela responde: marca. Mas na prática, se não tiver o tamanho certo, ela não compra, independente da marca.

Tamanho não é substituível. Então, apesar de marca aparecer no discurso, o processo de decisão começa pelo tamanho. A estratégia de exposição correta coloca marcas na vertical, tamanhos na horizontal e as linhas Premium nas prateleiras centrais.

Essa inversão entre o que o shopper diz e o que ele faz existe em várias categorias. Entender isso é o que separa uma exposição média de uma exposição que vende.


Os 3 Cs da exposição eficiente

Produto certo: compre o que seu público realmente precisa.

Volume certo: o que mais vende precisa de mais frentes para não travar a operação.

Local certo: os produtos com maior margem pertencem ao nível dos olhos e das mãos.

Tudo que está aqui pode ser aplicado em qualquer rede. Mas de nada adianta saber como o shopper compra se a exposição não estiver sustentada por dados reais de venda, mix e estrutura mercadológica.

Esse é o ponto onde a maioria trava — e onde a tecnologia muda o jogo.




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