Varejo ganha contratação de repositor e estoquista por diária avulsa
Com a dificuldade de contratação de pessoal atingindo todas as regiões do país e redes migrando para a escala 5×2, plataforma de trade marketing abre ao supermercadista oito funções operacionais pagas por diária, sem entrar na folha da loja

Oito em cada dez empregadores brasileiros têm dificuldade para encontrar os profissionais de que precisam, segundo a Pesquisa Global de Escassez de Talentos 2026, do ManpowerGroup, divulgada em julho. Nenhuma das regiões brasileiras mapeadas ficou abaixo de 74%. No varejo alimentar, levantamento da Associação Paulista de Supermercados (Apas), divulgado em janeiro de 2026, apontou mais de 36 mil vagas abertas só no Estado de São Paulo — repositor é a segunda função mais demandada, atrás apenas de operador de caixa.
Ao mesmo tempo, redes começaram a mexer nas escalas. O Grupo Supernosso iniciou em março de 2026 um piloto de escala 5×2 e estendeu o modelo às 45 unidades das bandeiras Supernosso e Apoio Mineiro, alcançando cerca de 4,8 mil trabalhadores. No Espírito Santo, o Grupo Coutinho começou a migração em unidades da rede Extrabom. Nos dois casos, a carga de 44 horas semanais foi mantida e redistribuída em cinco dias, o que alonga o turno diário e muda a cobertura de cada loja ao longo da semana.
É sobre essa lacuna que a Squad Services abriu uma frente voltada ao varejo. A empresa opera desde o trade marketing um marketplace que conecta empresas a profissionais autônomos cadastrados, os Squaders, e passa a oferecer ao varejista a contratação de reforço operacional por diária avulsa, em oito funções: repositor, empacotador, frente de loja, captação de carrinhos, estoque e recebimento, carga e descarga, picking de pedidos do e-commerce e limpeza. O negócio tem como sócios Thiago Duarte, que administra o projeto, e Scilas Pereira, com ampla atuação no varejo, especialmente na distribuição de mercadorias no ramo da beleza.
Com mais de 18 anos de experiência no setor, Duarte começou como promotor de vendas antes de fundar as próprias agências de trade marketing. "Conheço o piso, as operações dia a dia da loja", diz. "A gente começou a identificar que estava acontecendo uma escassez, uma ruptura dessa mão de obra, e ficando cada vez mais difícil." Conforme Duarte, o estudo que originou a plataforma foi feito há mais de dois anos, a partir da percepção de que o modelo de promotor compartilhado não se sustentaria "justamente pela questão de remuneração baixa e a dificuldade do setor em promover salários maiores".
A chegada ao varejo, segundo ele, responde ao cenário de jornada. "Principalmente com a escala 5×2, onde vai ser necessária uma flexibilização, essa é uma alternativa econômica de colocar mão de obra na loja, sem tanta burocracia, com agilidade e uma metodologia totalmente rastreável."
Como a loja abre uma diáriaA operação parte de um painel web — a loja não instala aplicativo. O gerente informa função, unidade, data, turno e quantidade de pessoas, e o valor total aparece antes da confirmação. A rede de profissionais da região é acionada em ondas por raio de distância, com prioridade para os mais bem avaliados, até a vaga ser preenchida.
A execução deixa registro: check-in por GPS na loja, fotos de antes e depois, relatório do que foi feito e avaliação de 1 a 5 estrelas dada pela loja, nota que define quem recebe as próximas ofertas primeiro. A diária só é encerrada com todos os registros concluídos. Não há cobrança caso a vaga não seja preenchida.
Para redes, a matriz define teto de verba por unidade e o gerente contrata dentro daquele limite. "Eu dou um budget para minhas lojas fazerem as contratações avulsas, e eu, como administrativo, gerencio tudo isso", explica Duarte. Pedidos acima do teto passam por aprovação, e a central acompanha o consumo por loja e por função.
Que relação a loja assumeA empresa informa que o Squader é profissional autônomo cadastrado na plataforma, que aceita a diária por escolha própria no aplicativo e recebe pela Squad — a loja contrata um serviço por diária e não incorpora o profissional ao seu quadro.
Como o preço se formaA Squad Services não divulga tabela pública. Conforme Duarte, o valor não é definido pela plataforma: o profissional informa no cadastro quanto pretende receber por hora, o contratante indica quanto está disposto a pagar, e o sistema cruza os dois. "Nós não colocamos o valor no negócio. Nós permitimos que quem está contratando coloque o seu valor, quanto está disposto a pagar, e a gente faz um matching com quem tem disponibilidade a trabalhar por aquele valor", afirma. O total de cada diária aparece no painel antes da loja confirmar.
Do outro lado do balcão, Duarte descreve um trabalhador que já compõe a renda com mais de uma ocupação. "A pessoa que trabalha fixo hoje ganha um pouco mais que um salário mínimo", diz. Segundo ele, um parceiro atuando em média 20 horas semanais tem ganhos entre R$ 500 e R$ 800 por semana. A plataforma oferece módulo de treinamento com trilha obrigatória e avaliação, além de cursos gratuitos ligados a merchandising e material promocional.
O tamanho da redeOs indicadores a seguir são declarados pela empresa, atualizados automaticamente em seu site, e referem-se a toda a operação da plataforma, não apenas à frente de varejo, recém-lançada. Em setembro de 2026, eram 3.100 profissionais cadastrados, presença em 216 cidades, 3.060 atendimentos concluídos em loja e 32.660 fotos de execução registradas.
Para Duarte, o modelo aponta para onde a contratação no varejo caminha. "Nós enxergamos no futuro uma intermediação honesta entre o pagador e o prestador de serviço", afirma.
Informações sobre o serviço e agendamento de demonstração estão disponíveis em www.squadservices.com.br/varejo.


