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O novo consumidor, quem está preparado?

O GLP-1 criou um consumidor que compra menos de algumas categorias e muito mais de outras. Para a farmácia, a disputa deixa de ser ter o produto e passa a ser dominar a jornada

Retrato de Fernando Bamberg

Fernando Bamberg

Colunista · Farma

· 2 min de leitura

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O novo consumidor, quem está preparado?

 Com a chegada do GLP-1 descobriu-se um mercado até então adormecido. À medida que as patentes vão caindo, novos produtos são lançados, novas moléculas são desenvolvidas. Um mercado que dobrou no último ano e que as expectativas são de que vai dobrar de novo.

Aquele varejista que pensa que tudo que ele precisa fazer é ter o produto disponível não poderia estar mais enganado. Esse novo consumidor vai desencadear uma transformação no consumo como conhecemos e, principalmente, na maneira como administramos lojas e estoques.

Com o lançamento da primeira caneta “genérica”, um novo público adentrou no mercado. Pesquisas feitas apontam que 80% dos consumidores da caneta genérica são clientes novos.

Muito ouço sobre o que esse cliente deixa de consumir. Podemos esperar quedas no consumo de alimentos, refrigerantes, bares, restaurantes e afins. Um ponto que pouquíssimos abordam é o que esse cliente passa a consumir com essa nova “realidade”. Esse cliente com sua nova forma física muda sua autoestima, começa a consumir mais produtos para embelezamento, se preocupa mais com sua aparência. Esse consumidor passa a se preocupar com sua alimentação, valorizando cada vez mais alimentos saudáveis. Isso sem falar nas necessidades imediatas de suplementação. Nem sempre essa recomendação vem junto com a prescrição, por isso, mais do que nunca, é importante a farmácia sempre recomendar que o tratamento seja feito com o acompanhamento de um médico. Nutrição esportiva vem crescendo a duplo dígito, e farmácias inteiras vêm sendo feitas cada vez mais pautadas em beleza e cuidado.

Isso vai transformar o varejo e a gestão de categorias como conhecemos, pois seremos obrigados a olhar para a “jornada do consumidor”. Do ponto de vista prático, o segmento farmacêutico é um dos que mais podem se beneficiar desse novo consumo, pois reúne quase todas as necessidades dessa nova jornada em um único local. Os produtos estão lá, mas isso não será suficiente.

A equipe precisa estar preparada, o ponto de venda precisa estar preparado, o CRM precisa estar preparado. O papel da farmácia com esse consumidor é muito maior que apenas “vender”, a farmácia precisa ajudá-lo a realizar o tratamento da melhor maneira possível. O farmacêutico terá papel fundamental nessa nova jornada. E aqui começa a transformação de como olhamos para a farmácia. Cada vez mais vamos falar de jornada, de cesta de compra e não mais somente atender uma prescrição. Precisaremos estar preparados para atender, orientar e ter o produto disponível para essa jornada.

As grandes redes já conseguem trabalhar isso, mas e o restante do varejo? Se hoje o mais comum é analisar um produto pela sua venda, no futuro iremos falar de quanto de venda determinado produto traz junto. Essa é a grande mudança que vem pela frente.  

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