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Layout de loja: como a organização do espaço influencia a jornada de compra e aumenta o ticket médio

Forma como os corredores são distribuídos não é apenas uma questão operacional ou estética: é uma ferramenta estratégica para influenciar o comportamento, melhorar a jornada do cliente e potencializar resultados

Retrato de Michel Jasper

Michel Jasper

Colunista

· 3 min de leitura

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Layout de loja: como a organização do espaço influencia a jornada de compra e aumenta o ticket médio

No varejo, cada metro quadrado da loja comunica uma mensagem. A forma como os corredores são distribuídos, onde ficam as categorias e como o shopper percorre o ambiente pode definir não apenas a experiência de compra, mas também o quanto ele consome dentro da loja.

O layout da loja deixou de ser apenas uma questão operacional ou estética. Hoje, ele é uma ferramenta estratégica para influenciar o comportamento, melhorar a jornada do cliente e potencializar resultados.

Mas antes de avançar é importante diferenciar dois conceitos que muitas vezes são confundidos: layout e planograma.

O layout é a definição macro da loja: onde ficam os corredores, categorias e áreas estratégicas, como açougue, padaria, hortifrúti, limpeza, frente de caixa e demais setores.

Já o planograma está relacionado à organização dos produtos dentro desse espaço: onde cada item será colocado, qual será sua posição na gôndola e como a exposição será planejada.

Um bom gerenciamento de categoria depende dos dois. Um planograma eficiente não entrega seu potencial quando o layout não favorece o fluxo do consumidor.


A entrada da loja: a primeira impressão influencia a percepção de preço

A entrada da loja é um dos pontos mais importantes da jornada do shopper.

Quando o cliente entra em um supermercado e encontra uma área promocional forte, com ofertas claras, ilhas de produtos e comunicação de preço, a percepção criada é de que aquela loja oferece boas oportunidades.

O contrário também acontece. Uma loja pode ter preços competitivos, mas se não comunicar isso logo no início da jornada, o consumidor pode formar a impressão de que o concorrente é mais barato.

No varejo, percepção também vende.

Por isso, a entrada precisa ser estratégica: gerar impacto, comunicar vantagem e estimular o cliente a continuar explorando o ambiente.


O primeiro corredor precisa incentivar a jornada

Um erro comum é posicionar categorias que não despertam interesse imediato logo na entrada.

Corredores de baixo envolvimento ou categorias muito específicas podem fazer o cliente desviar e seguir diretamente para áreas conhecidas.

A entrada deve criar curiosidade, comunicar valor e estimular circulação.

Da mesma forma, algumas categorias precisam ser posicionadas com cuidado. Produtos perecíveis, por exemplo, normalmente funcionam melhor mais ao fundo da loja, ajudando a criar fluxo e fazendo o consumidor percorrer mais áreas durante a compra.

A lógica é simples: quanto mais equilibrada for a jornada, maiores são as oportunidades de conversão.


Fundo de loja: uma área que precisa estar sempre aquecida

Muitas lojas concentram esforços apenas na entrada e esquecem que o fundo precisa continuar atraente.

Quando categorias estratégicas ficam posicionadas ao final do percurso, o cliente é naturalmente conduzido pela loja, aumentando os pontos de contato com diferentes produtos.

É por isso que itens como bebidas geladas, sorvetes e algumas categorias de compra rápida geralmente funcionam melhor próximos à saída ou ao final do fluxo.

A ideia é evitar que o consumidor entre, pegue um produto e saia rapidamente sem explorar o restante da loja.


O layout ideal não é igual para todas as lojas

Um dos grandes mitos do varejo é acreditar que todas as lojas de uma rede precisam ter exatamente o mesmo layout.

Na prática, isso raramente funciona.

Cada unidade possui características próprias:


  • Perfil do consumidor;

  • Região onde está localizada;

  • Tamanho da loja;

  • Mix de produtos;

  • Comportamento de compra.

Uma loja de bairro pode ter uma dinâmica completamente diferente de uma unidade localizada em uma região de maior poder aquisitivo.

O layout precisa respeitar o shopper daquela operação.

Padronização pode existir, mas sempre deve estar alinhada à estratégia e à realidade de cada ponto de venda.


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