Varejo projeta faturamento em alta e volume em queda até outubro
Índice do IDV mostra farmácia crescendo 10,5% em julho, enquanto supermercado avança 2,3%

O varejo brasileiro deve encerrar o trimestre com um descompasso entre o que aparece no caixa e o que sai da gôndola. Os dados de julho do Índice Antecedente de Vendas do Instituto para Desenvolvimento do Varejo, divulgados no fim de agosto, projetam alta nominal de 1,8% em agosto, 2,3% em setembro e 2,3% em outubro. Descontado o IPCA, as mesmas projeções viram quedas de 2,6%, 2,1% e 2,4%.
Em julho, o padrão já era esse: alta nominal de 1,7% e retração real de 2,8% sobre o mesmo mês de 2025.
O varejo farmacêutico é a exceção mais clara do índice. O segmento cresceu 10,5% em julho, o melhor desempenho entre todas as atividades acompanhadas, e é o único com projeção acima de 9% nos três meses seguintes: 9,5% em agosto, 9% em setembro e 9,6% em outubro. Nenhum outro segmento sustenta patamar semelhante em todo o período.
A distância para o varejo alimentar é de cerca de oito pontos percentuais no mês. Hipermercados e supermercados cresceram 2,3% em julho, com projeções de 1,4%, 1,9% e 0,9% para o trimestre. O ponto mais baixo cai em outubro, mês de compra para a Black Friday.
O atacado avançou 1,4% em julho, mas é o canal alimentar com projeção de aceleração: 2,7% em agosto, 3,1% em setembro e 3,5% em outubro. Os dois canais apontam em direções opostas ao longo do trimestre.
Entre os demais segmentos, outros artigos de uso pessoal e doméstico subiram 5,9% em julho e tecidos, vestuário e calçados, 0,7%. Material de construção caiu 2% e móveis e eletrodomésticos, 2,9%.
O ambiente
O Índice de Confiança do Consumidor da FGV recuou 0,4 ponto em julho, para 88,3 pontos, na terceira queda consecutiva e no menor nível desde março de 2026. O Índice de Situação Atual caiu 2,6 pontos, enquanto o de Expectativas subiu 1,1 ponto.
O IPCA de julho subiu 0,07% e acumulou 4,44% em 12 meses. Em agosto, o Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. Segundo Jorge Gonçalves Filho, presidente do IDV, a decisão ocorreu em cenário de moderação gradual da atividade e inflação recente mais benigna, mas com expectativas de inflação ainda desancoradas e incertezas externas e fiscais. O PIB brasileiro cresceu 1,8% no primeiro trimestre de 2026, com a despesa de consumo das famílias em alta de 1,7%.
Nem todos os indicadores apontam na mesma direção. Levantamento da Getnet mostra que as vendas do varejo cresceram 6% durante o período da Copa do Mundo, entre 11 de junho e 19 de julho, com alta de 17% em supermercados e hipermercados. Para o restante do ano, a Associação Brasileira de Inteligência de Mercado e Comércio Eletrônico projeta faturamento de R$ 258,4 bilhões para o varejo, crescimento de 10% sobre 2025.
O IAV-IDV é construído a partir das expectativas de faturamento informadas pelas empresas associadas ao instituto para os três meses seguintes. O grupo responde por cerca de 20% das vendas do varejo brasileiro. O índice não possui recorte específico para o varejo pet.


