Ruptura em supermercados cai a 10,8%, menor patamar em 12 meses
Ovos, leite e café puxam a melhora, mas giro lento de estoque divide o crédito com a cadeia de abastecimento; papel higiênico vai na direção oposta e sobe 1,8 ponto

A falta de produtos nas gôndolas dos supermercados brasileiros recuou a 10,8% em julho, queda de 0,7 ponto percentual sobre junho e o menor nível do Índice de Ruptura da Neogrid em 12 meses. O movimento foi generalizado entre as categorias básicas, com uma exceção relevante: papel higiênico.
Ovos e leite concentram a melhora
Os ovos registraram a maior queda de indisponibilidade, de 27,8% para 22,4% — 5,4 pontos. A Neogrid associa o movimento a estoques elevados nas granjas e consumo estável durante as férias escolares, com o preço médio da embalagem de seis unidades recuando de R$ 7,03 para R$ 6,80, conforme acompanhamento do Cepea-Esalq/USP.
O leite UHT caiu 2,4 pontos, de 13,8% para 11,4%, mas com descolamento entre disponibilidade e preço: o integral subiu de R$ 6,08 para R$ 6,20 e o semidesnatado, de R$ 6,26 para R$ 6,42. A pressão vem da matéria-prima — o leite cru captado por laticínios acumulou alta de 33,1% no primeiro semestre, segundo dados do Cepea citados no levantamento.
Completam o quadro café (9,4% para 7,4%), arroz (11,0% para 9,5%), açúcar (9,4% para 8,5%) e feijão, praticamente estável em 8,1%.
Papel higiênico é o ponto de atenção
Na contramão, a ruptura de papel higiênico subiu 1,8 ponto, de 14,1% para 15,9%, com estoques mais curtos na cadeia. A Neogrid recorre a análise do Banco do Brasil apontando que, mesmo com oferta pontual maior de celulose de fibra longa no mês, o volume global acumulado nos cinco primeiros meses de 2026 segue 3,7% abaixo do mesmo período de 2025.
Os preços acompanharam: folha simples de R$ 10,82 para R$ 10,85, folha dupla de R$ 18,34 para R$ 18,42 e folha tripla de R$ 23,22 para R$ 23,39.


