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Cinco meses após a liberação, quatro farmácias operam dentro da área de venda de supermercados

A Lei 15.357/2026, sancionada em março, autorizou a instalação de farmácias no salão de vendas dos supermercados. Apenas o Assaí Atacadista mantém unidades em funcionamento

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Cinco meses após a liberação, quatro farmácias operam dentro da área de venda de supermercados

A autorização para instalar farmácias dentro da área de venda de supermercados completou cinco meses em agosto com quatro unidades em operação no país, todas da bandeira Assaí Farma e todas no estado de São Paulo. A contagem considera as aberturas divulgadas pelas companhias e registradas pela imprensa setorial até 28 de agosto.

O ritmo contrasta com o tamanho do mercado em disputa. O setor farmacêutico brasileiro movimentou R$ 227 bilhões em 2025, alta de 12% no ano, o oitavo maior do mundo, segundo o Sindusfarma. Levantamento do BTG Pactual com dados da ABRAS e do IBEVAR aponta que as redes de farmácias listadas em bolsa operam com produtividade de cerca de R$ 68 mil por metro quadrado, ante R$ 42 mil dos seis maiores grupos de supermercados do país. Medicamentos sem prescrição trabalham com margens estimadas em 35%, e genéricos em 45%, patamares acima dos praticados no varejo alimentar.

O argumento que sustenta o interesse das redes, porém, não se limita ao desempenho da própria farmácia. Em apresentação sobre o tema, a ABRAS enquadrou o varejo farma como categoria de destino, de consumo recorrente, com capacidade de ampliar o tempo médio de permanência e a frequência de visitas à loja, além de funcionar como diferencial competitivo no sortimento. Pela leitura da entidade, o retorno se distribui entre a operação farmacêutica e o efeito sobre o fluxo do salão.

Parte da explicação para o descompasso está no desenho da lei. Outra parte está em uma confusão de contagem: nem toda farmácia aberta por uma rede alimentar nos últimos meses depende da Lei 15.357.

Três modelos distintos em circulação

O varejo alimentar brasileiro opera hoje com farmácias sob três arranjos diferentes. Apenas um deles foi criado pela nova legislação. A distinção define o que cada rede pode fazer, quanto precisa investir e sob quais exigências sanitárias opera.

Farmácia na área de venda. É o modelo que a Lei 15.357/2026 liberou. A operação fica dentro do salão do supermercado, em ambiente segregado e delimitado, com licenciamento sanitário próprio, estrutura independente de recebimento e armazenamento, controle de temperatura e umidade e farmacêutico presente durante todo o horário de funcionamento. A lei prevê que o supermercado opere diretamente, com identidade fiscal própria, ou contrate farmácia já licenciada. Até 28 de agosto, quatro unidades funcionavam nesse formato, todas do Assaí.

Farmácia autônoma de rede alimentar. Loja separada, com entrada independente, operada por grupo do varejo alimentar. Não depende da nova lei e já era permitida. O Grupo Mateus inaugurou em junho a primeira unidade da bandeira Mix Toureiro Farma, em São Luís, resultado de joint venture entre o Armazém Mateus e a AS&J Holding, ligada ao Grupo Toureiro, aprovada pelo Cade. O Carrefour opera 98 drogarias em dez estados e no Distrito Federal, sendo 85 com bandeira própria e 13 com bandeira Atacadão, todas fora da área de vendas.

Cessão de espaço. O supermercado aluga área a uma rede de farmácia, que opera por conta própria. Prática anterior à mudança legal. O Hirota mantém há anos contratos desse tipo com a Droga Raia e com a Promofarma em lojas da capital paulista, arranjo em que a farmácia paga aluguel e gera tráfego para a loja.

A diferença entre o primeiro e o terceiro modelo é o ponto de decisão para a maioria dos supermercadistas. No primeiro, a rede assume estoque, licenciamento, folha e responsabilidade sanitária. No terceiro, recebe aluguel e transfere o risco.

Assaí mantém quatro unidades em supermercado

O Assaí inaugurou a primeira unidade da Assaí Farma em 16 de julho, na loja Anhanguera, zona oeste de São Paulo. A segunda abriu em 31 de julho, na Penha Tiquatira. A terceira entrou em operação em 11 de agosto, na Marginal Tietê Vila Maria. A quarta foi inaugurada em 18 de agosto, na Marginal Tietê Tatuapé.

O padrão operacional é consistente entre as quatro. As áreas variam de 128 a 143 metros quadrados. O sortimento gira em torno de 10 mil itens, entre medicamentos regulamentados e de venda livre, dermocosméticos, vitaminas, suplementos, higiene e perfumaria. Cada unidade emprega de 12 a 13 colaboradores, com farmacêutico em tempo integral, e opera quatro balcões de atendimento e três checkouts próprios, separados dos caixas do atacarejo.

Esses números definem o custo de entrada do modelo para quem pretenda replicá-lo: entre 128 e 143 metros quadrados subtraídos do salão, cerca de uma dúzia de colaboradores adicionais e farmacêutico durante todo o expediente.

O plano declarado pela companhia é chegar a 25 unidades no estado de São Paulo até o fim de 2026, em fase classificada como piloto operacional.  

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