PL Connection 2026 encerra com farmácias na liderança e marca própria abrindo canal de exportação
Marca própria em farmácias cresceu 19%; comitiva da Mercadona veio ao evento buscar fabricantes brasileiros

O PL Connection 2026 foi encerrado na quarta-feira (26), no Expo Center Norte, em São Paulo, após dois dias de programação sob o tema Brasil na Prateleira. A quarta edição do evento, realizada pela Amicci, projetava mais de 5 mil visitantes e cerca de 150 expositores.
O varejo farmacêutico apareceu como o canal de maior crescimento em marca própria e a internacionalização entrou na pauta com o lançamento de um programa de exportação, em uma edição que também trouxe dados apontando limites para a estratégia de marca mais usada pelas redes regionais.
Farmácias crescem 19%; grandes redes recuam
A abertura por canal apresentada por Jonathas Rosa, diretor de Customer Success do Varejo na NielsenIQ, mostrou desempenhos distintos nos últimos dois anos. As farmácias lideraram, com alta de 19%, seguidas por atacarejo (12,5%) e supermercados regionais (10%). As grandes redes supermercadistas recuaram quase 6% em faturamento de marca própria no mesmo intervalo.
No varejo farmacêutico, o faturamento da categoria saiu de R$ 2 bilhões em 2020 para R$ 6 bilhões em 2025, com alta de 19% entre janeiro e julho de 2026 sobre igual período do ano anterior, segundo dados da Nielsen citados por Francisco Celso Rodrigues, diretor executivo de Coordenação Técnica e de Comitês da Abrafarma.
A Panvel migrou em junho a linha de maquiagem Panvel Makeup para Panvel 24/7, com coleção inicial de três itens e plano de transferir o restante do portfólio nos próximos meses, segundo Rafaella Weber, gerente de Marcas Exclusivas. Na Pague Menos, que atingiu R$ 1 bilhão de faturamento na categoria em 2025, Mariana Senhore estruturou plano de cinco anos com foco em simplificação de portfólio, governança de processos e definição de categorias prioritárias — a rede tinha 13 marcas próprias, e três linhas de vitaminas foram unificadas.
Mercadona busca fornecedor brasileiro
A Amicci lançou durante a feira o programa Amicci Exportação, voltado a conectar fabricantes brasileiros a compradores internacionais. Segundo a companhia, a iniciativa mapeia mais de 150 varejistas e distribuidores em seis regiões e mais de 1.000 compradores, com demandas em oito categorias de bens de consumo.
O evento recebeu comitiva liderada pela Mercadona, maior rede de supermercados da Espanha, com reuniões pré-agendadas com fabricantes brasileiros. Integraram o grupo a Nesto, com operações no Oriente Médio e na Índia, a libanesa Tawfeer e distribuidores de Marrocos e Camarões.
Nome da bandeira na embalagem perde espaço
Rosa apresentou ainda um recorte que contraria a prática mais comum entre redes regionais: produtos que estampam o nome do varejista na embalagem recuaram 4,9% em faturamento no período medido, enquanto marcas próprias construídas com identidade autônoma cresceram 18,5%.
O limite reapareceu no segundo dia do evento. Teddy Mann, partner da Simon-Kucher e líder da prática de varejo para a América Latina, apresentou pesquisa com mais de 14 mil consumidores em 14 países, dos quais mil brasileiros, indicando que a abertura crescente do consumidor à marca própria não se traduz em escolha recorrente. Na avaliação dele, o desafio do varejo passou a ser converter experimentação em preferência por meio de qualidade, confiança, variedade e proposta de valor que ultrapasse o preço.


