O petisco virou categoria estratégica e o delivery está apostando R$ 24 bilhões na categoria
O mercado pet vive uma nova fase de expansão, impulsionado pelo crescimento dos petiscos, pela humanização dos animais e pelo avanço do delivery e do e-commerce pet

Colunista · Pet Shop

Duas notícias recentes, aparentemente distantes, contam a mesma história: o mercado pet está se reorganizando em torno de dois eixos: produtos de alta recorrência e canais de conveniência.
De um lado, a projeção de que o mercado global de petiscos para pets ultrapasse R$ 300 bilhões até 2031. De outro, o anúncio do iFood de um aporte de R$ 24 bilhões no Brasil, com pet shops entre as categorias prioritárias. Separadas, são dados de indústria e de plataforma. Juntas, ajudam a entender para onde o consumo pet está caminhando.
Um mercado global em expansão
Segundo relatório da consultoria MarketsandMarkets, repercutido pelo site Petfood Industry e pelo portal Cães&Gatos, o mercado global de petiscos deve saltar de US$ 38,4 bilhões (R$ 198,1 bilhões) em 2026 para US$ 58,71 bilhões (R$ 302,9 bilhões) até 2031, com crescimento anual composto de 8,9%, uma expansão de 52,9% em cinco anos.
Os drivers apontados são a humanização dos pets, o aumento de lares com animais e a busca por produtos premium. O relatório destaca ainda a migração do petisco de "recompensa" para "rotina de saúde": fórmulas voltadas a suporte imunológico, saúde bucal, digestão, pele e pelagem e controle de estresse. A liofilização aparece como o processo de fabricação de maior crescimento, seguida por secagem ao ar e processamento a frio.
Vale uma ressalva metodológica: trata-se de projeção de consultoria, um cenário construído a partir de premissas, não um fato consumado. O número é útil para orientar decisão, não para ser tratado como dado fechado.
O delivery entra de vez na rotina pet
No
mesmo período, o iFood anunciou investimento de R$ 24 bilhões no
Brasil para o ciclo de abril de 2026 a março de 2027, alta de 41%
sobre os R$ 17 bilhões do ciclo anterior.
O plano, apresentado
no evento iFood MOVE 2026 e repercutido pela Reuters, contempla
quatro frentes: fortalecimento dos restaurantes, novas categorias,
entre elas pet shops, farmácias e supermercados, tecnologia própria
e o iFood Pago.
O dado mais relevante para o segmento pet: Segundo o CEO Diego Barreto, o negócio de pet shop cresceu mais de 100% no último ciclo. A meta da companhia é que 40% da receita venha de fora do delivery de restaurantes até o fim de 2026.
Aqui também é preciso separar conceitos: os números do iFood são observações de uma plataforma, não medição do mercado pet como um todo. Eles indicam direção, não tamanho absoluto do setor.
O que conecta as duas notícias
A
primeira conexão é a recorrência. Petiscos são itens de alta
frequência, ticket baixo e reposição constante, exatamente o
perfil de produto que sustenta um canal de delivery.
Não por
acaso, o próprio iFood já observou que sachês e petiscos lideram
as compras da categoria pet, com mais de 28% dos pedidos incluindo
itens de "mimo".
A
segunda é a humanização. O mesmo fenômeno que impulsiona a
demanda por petiscos funcionais e premium na indústria explica a
disposição do tutor de pagar por conveniência no delivery.
Quando
o pet vira membro da família, a compra deixa de ser eventual e entra
na rotina e a rotina é digital.
A terceira é o canal. O e-commerce é apontado pelo relatório de petiscos como o canal de maior crescimento, e o iFood está investindo bilhões justamente em categorias como pet shops. Indústria e distribuição caminham na mesma direção: a oferta cresce onde a demanda já está se movendo.
O que isso significa para o varejo
Para quem gerencia categorias, o recado é duplo. Petiscos precisam ser tratados como categoria de recorrência e margem. Sortimento por espécie e fase de vida, exposição adequada, equipe treinada para orientar sobre benefícios funcionais.
A indústria projeta crescimento; o canal investe para capturá-lo. A pergunta que fica para o varejo é: quem vai ficar com essa demanda, o pet shop tradicional, o supermercado ou o delivery?
Referências
[1]
MarketsandMarkets — Pet Treats Market Report 2026–2031 (fonte
primária)
[2] Petfood Industry — Pet treats market to reach
US$58.7B by 2031 (fonte intermediária)
[3] Cães&Gatos —
Mercado global de petiscos deve ultrapassar R$ 300 bilhões até 2031
[4] iFood MOVE 2026 — anúncio oficial do investimento (fonte
primária)
[5] Reuters — iFood anuncia investimento de R$ 24
bilhões no Brasil


