Marcas próprias crescem 3,8 vezes mais que o mercado e redes elevam metas de portfólio
Segmento avançou 11,9% em valor no Brasil até junho de 2026, segundo NielsenIQ a pedido da Amicci

O segmento de marcas próprias cresceu 10,9% em volume e 11,9% em valor no Brasil até junho de 2026, ritmo 3,8 vezes superior ao do mercado no mesmo período. O dado, de levantamento da NielsenIQ realizado a pedido da Amicci, foi apresentado durante o PL Connection 2026, encerrado nesta quarta-feira (26) no Expo Center Norte, em São Paulo.
O avanço aparece nos planos das redes. O CEO da Imec, Fabiano Pivotto, informou que as marcas próprias respondem hoje por 2% do faturamento da rede, com meta de alcançar 5%. O portfólio atual é de 300 produtos de linha própria, com objetivo de expansão para 500 itens. Segundo ele, a marca própria funciona como fator de fidelização, com o consumidor avaliando primeiro o benefício entregue pelo produto, e não o custo. Pivotto apontou ainda a categoria de saudabilidade como frente de oportunidade, citando mudanças de rotina de consumo associadas ao uso de canetas emagrecedoras.
A gerente de marketing da Rede Krill, Aline Freire, informou que a rede opera 187 marcas próprias e adota o nome da própria bandeira nas embalagens, com avaliação contínua de qualidade. Ela destacou que a entrada da marca própria em uma categoria acaba exigindo a retirada de marcas tradicionais de baixa performance, decisão que gera atrito e precisa estar ancorada na estratégia da rede.
O que a indústria precisa para entrar no canal
Em painel mediado pela diretora de indústrias da Amicci, Paula Dias, executivos de fornecedores trataram das condições necessárias para operar em marca própria.
O CEO da Cottonbaby, Leandro Silveira, avaliou que o canal ainda está em estágio inicial de maturidade no Brasil e que o desafio da indústria é sustentar a convicção no projeto antes de haver retorno consistente, dado o horizonte de médio e longo prazo do investimento.
O gerente nacional de negócios da Zinho, Fabrisio Gomes, defendeu que a indústria estude o canal de forma dedicada, argumentando que marca própria tem particularidades de negociação, posicionamento e relação com o varejista que não se resolvem com o conhecimento aplicado à marca tradicional.
O vice-presidente de marketing e vendas da Drylock, Eduardo Dallagnese, apontou a saúde financeira da indústria como condição crítica, em razão dos prazos, volumes e negociações característicos do canal.
Compradores estrangeiros em busca de fabricantes brasileiros
A edição atraiu redes internacionais em reuniões com a indústria nacional. Entre elas, a espanhola Mercadona, a Nesto, rede de hipermercados com operações no Oriente Médio e na Índia, e a libanesa Tawfeer.


