Marca própria: dez redes concentram 65% das vendas no Brasil
Levantamento da NielsenIQ aponta que os dez maiores varejistas do país respondem por 65% de todas as vendas de marca própria no Brasil, considerando o acumulado até junho deste ano

O estudo, batizado de "PL Connection", será apresentado durante o evento de mesmo nome, que ocorre nesta terça e quarta-feira (25 e 26 de agosto), em São Paulo. De acordo com o levantamento, o volume de vendas de marcas próprias cresceu 10,9% entre janeiro e junho deste ano, em comparação ao mesmo período do ano anterior, um ritmo de expansão superior ao do varejo em geral. O avanço aparece também em outros indicadores da categoria: o ticket médio por ocasião de compra subiu 9,8%, enquanto a frequência de compras aumentou 7,2% no período analisado, com predominância na região Sudeste.
O perfil de consumo também mudou. Produtos de marca própria hoje são consumidos em 3 a cada 10 lares brasileiros, com adesão especialmente entre a população de maior renda. A movimentação reforça uma consolidação que já vinha sendo observada nos últimos anos, com o segmento deixando de ser associado apenas à busca por preço mais baixo.
Concentração e escala
A concentração das vendas entre os dez maiores varejistas está associada a fatores estruturais da operação de marca própria. Fabricar sob marca própria exige volume mínimo de produção para viabilizar contratos com a indústria, além de capacidade de investimento em desenvolvimento e testagem de produto e estrutura para gestão de portfólio próprio ao lado das marcas de terceiros.
Redes de menor porte que buscam atuar nesse segmento sem escala equivalente à dos líderes tendem a operar com margens mais apertadas e menor poder de negociação junto a fornecedores.
O movimento de marca própria acontece em paralelo ao avanço do atacarejo, formato que já representa cerca de 29% do faturamento do varejo alimentar brasileiro, segundo o ranking Abras 2026.
Farma também acelera
O canal farmacêutico segue trajetória semelhante. Segundo a mesma pesquisa da NielsenIQ, o faturamento de marcas próprias nas farmácias de cadeia cresceu 19,1% no acumulado do ano até junho, atingindo R$ 2,98 bilhões. No recorte apresentado pelo estudo, as marcas próprias representam 27,2% do faturamento dentro do canal farma, contra 16,8% das demais categorias, enquanto no autosserviço a participação chega a 50,1%, ante 40,5% do total de marcas. Entre as categorias com maior destaque no canal farma estão itens respiratórios, curativos antissépticos, escovas de dente, produtos de higiene íntima e sabonetes.
Caminhos para redes de porte médio
Diante do cenário de concentração, categorias de menor giro, produtos regionais e parcerias com fabricantes locais têm sido caminhos utilizados por redes de porte médio para atuar no segmento sem depender da escala dos dez maiores players do mercado.


