Hypera tem lucro de R$ 527 milhões no 3º trimestre com impulso da semaglutida
Receita líquida da indústria farmacêutica somou R$ 2,44 bilhões, mas a margem Ebitda recuou de 34% para 32,1%

A Hypera, indústria farmacêutica brasileira de capital aberto sediada em São Paulo e que opera como Hypera Pharma, registrou lucro líquido das operações continuadas de R$ 527 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 16,1% sobre o mesmo período do ano anterior. A receita líquida somou R$ 2,44 bilhões, crescimento de 9,4%. Os números foram divulgados em 27 de outubro.
O lucro líquido consolidado, que considera também as operações descontinuadas, foi de R$ 523,2 milhões, alta de 14,7%.
O Ebitda das operações continuadas alcançou R$ 782,3 milhões, avanço de 3,4%. A margem Ebitda caiu de 34% para 32,1%, indicando que o resultado operacional cresceu em ritmo inferior ao da receita.
A companhia atribui parte do desempenho ao Semavy, semaglutida injetável lançada sob a marca Mantecorp, com registro concedido pela Anvisa e anunciado em julho. Com o produto, a empresa passou a atuar na classe dos análogos de GLP-1, usados no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. À época do anúncio, a companhia informou que o medicamento chegaria às farmácias em até dois meses, após a conclusão das etapas operacionais e comerciais do lançamento.
Breno Oliveira, CEO da Hypera Pharma, afirmou no lançamento que o medicamento amplia a oferta nacional de semaglutida e que o objetivo é permitir que mais pessoas iniciem e mantenham o tratamento.
Segundo dados da IQVIA citados pela companhia, com base em preço de compra ao consumidor nos 12 meses encerrados em maio de 2026, os análogos de GLP-1 formam no Brasil um mercado de R$ 15,6 bilhões, com crescimento de 111% ante o período anterior.
A Hypera informa ter investido R$ 2,5 bilhões em pesquisa e desenvolvimento nos últimos cinco anos. A empresa atua em medicamentos isentos de prescrição, suplementos e vitaminas, com marcas como Benegrip, Buscopan, Engov, Epocler, Estomazil, Neosaldina e Zero-Cal; em produtos de prescrição, com a linha Mantecorp; em dermocosméticos; em similares e genéricos, com a Neo Química; e no mercado institucional, voltado a clínicas e hospitais.
No balanço do terceiro trimestre, a companhia informou resultado financeiro líquido negativo em R$ 148,2 milhões, com redução de 42,3% nas despesas com juros, em função da queda do endividamento líquido e da menor taxa Selic. A dívida líquida encerrou setembro em R$ 5,61 bilhões, R$ 293,4 milhões abaixo do registrado ao fim do segundo trimestre. Os dias de estoque caíram de 221 no terceiro trimestre de 2025 para 186 no mesmo período deste ano.
No acumulado do terceiro trimestre até agosto, as vendas do varejo farmacêutico cresceram 7,7%, ante 9,5% no segundo trimestre. Excluídos os medicamentos da classe GLP-1, o crescimento estimado do mercado no período cai para cerca de 5,5%.


