Atacarejo tem o crescimento mais modesto entre os formatos do varejo alimentar em 2026
Formato acumula alta de 0,8% no faturamento e queda de 1,5% em unidades até setembro

O atacarejo acumula o desempenho mais modesto entre os formatos do varejo alimentar brasileiro em 2026. De janeiro a setembro, o canal registrou crescimento de 0,8% no faturamento, com queda de 1,5% nas unidades vendidas e alta de 2,3% nos preços, segundo o Radar Scanntech, relatório mensal da Scanntech, cuja edição de setembro foi divulgada em 6 de outubro.
O resultado contrasta com o ano anterior. Em 2025, o atacarejo foi o canal de maior crescimento do varejo alimentar, com alta de 8,8% nas vendas, presença em 76% dos lares brasileiros e frequência média de 22 visitas por ano, segundo levantamento da NielsenIQ apresentado no lançamento do Ranking ABAAS 2026.
A inversão começou no primeiro trimestre. De janeiro a março, o atacarejo foi o único formato com retração real, com queda de 1,0% em valor e de 3,8% em unidades, enquanto os supermercados cresceram 2,5% em valor, com recuo de 1,1% em unidades e alta de 3,7% no preço médio. Em julho, o canal voltou a ser o único com retração no faturamento, de 0,2%, acompanhada do menor aumento de preço entre os formatos, de 2,6%.
Em setembro, o atacarejo avançou 1,6% em faturamento, com queda de 1,7% em unidades e preço 3,3% mais alto. No mesmo mês, o varejo alimentar como um todo cresceu 3,3% em faturamento em mesmas lojas, com preço por unidade 5,7% maior, queda de 2,2% nas unidades vendidas e recuo de 3% no fluxo em loja. As lojas de 1 a 4 checkouts foram as mais afetadas no período, com queda de 6% nas unidades, preço médio 8,4% maior e alta de apenas 1,9% no faturamento.
No acumulado do ano, o faturamento do varejo alimentar em mesmas lojas cresceu 2,7%, abaixo da inflação acumulada no período, de 4,79%, o que configura retração real. A sustentação veio do preço por unidade, que subiu 3,9%, enquanto as unidades vendidas caíram 1,1%.
A vantagem de preço sob pressão
No relatório apresentado no lançamento do Ranking ABAAS 2026, a NielsenIQ aponta que a competitividade segue pressionada no canal, com diminuição do diferencial de preços em relação ao varejo, e que a preservação do preço baixo é fundamental para manter a liderança do formato. O mesmo levantamento registra que, depois de seis anos, o preço baixo voltou a ser o principal fator de escolha do consumidor no atacarejo, superando descontos e promoções.
Para o diretor de atendimento ao varejo da NielsenIQ Brasil, Domenico Filho, o momento exige atenção máxima à eficiência, já que o consumidor está levando menos itens por ocasião de compra e priorizando o essencial.
Os dados do Radar Scanntech mostram esse movimento na operação. Em setembro, o atacarejo praticou o menor reajuste entre os formatos citados, de 3,3%, contra 8,4% das lojas de 1 a 4 checkouts. No acumulado, o canal subiu preços 2,3%, abaixo dos 3,9% registrados pelo varejo alimentar. O formato conteve preço, mas não sustentou volume.


