Desconto mais profundo não segura queda de volume no varejo de vizinhança
Promoções chegam a 25,8% das vendas e estoque sobe a 46 dias; perda de venda deixa de vir da falta de produto

A participação das promoções alcançou 25,8% das vendas do varejo alimentar de vizinhança em julho, com ações mais longas e descontos mais profundos, sem reverter a queda nas unidades vendidas. Os dados são do Radar Scanntech, que acompanha o varejo de vizinhança — mercados de bairro e supermercados compactos, de 1 a 9 checkouts.
As unidades vendidas recuaram 2,1% na comparação com julho de 2025 e o fluxo de clientes caiu 3,0%. O faturamento em mesmas lojas cresceu 1,8%, sustentado pela alta de 4,0% no preço médio.
Os dias de estoque chegaram a 46, cinco acima do registrado um ano antes. O indicador de não venda, que mede a mercadoria disponível na gôndola sem ser adquirida pelo consumidor, avançou para 11,4%. A ruptura recuou a 4,4%, menor nível da série acompanhada pela Scanntech.
A combinação pressiona o capital de giro. Cada dia adicional de estoque representa recurso imobilizado em mercadoria, com risco ampliado em perecíveis, e o formato de vizinhança opera com menos folga de caixa que as lojas de abastecimento. Para a Scanntech, com ruptura em mínima histórica e estoques elevados, o desafio da operação deixa de ser garantir disponibilidade e passa a ser o ajuste de mix, preço e abastecimento ao ritmo efetivo de consumo. A empresa avalia que estratégias baseadas apenas em desconto vêm apresentando menor capacidade de estimular o consumo.
O Índice de Ruptura da Neogrid, que utiliza metodologia distinta e abrange o conjunto do autosserviço, também recuou em julho, para 10,8%, menor patamar em 12 meses.
O consumo das famílias medido pelo IBGE recuou 0,4% no segundo trimestre ante o primeiro, primeira retração desde o terceiro trimestre de 2025.


