Cada rede fica com cerca de R$ 298 da cesta mensal do consumidor brasileiro
Famílias destinam R$ 1.073,98 por mês ao varejo alimentar e compram em 3,6 redes diferentes, segundo a dunnhumby

As famílias brasileiras destinam em média R$ 1.073,98 por mês às compras de varejo alimentar e distribuem esse valor entre 3,6 redes diferentes a cada mês. A divisão indica que cada bandeira fica, em média, com cerca de R$ 298 da cesta mensal — o equivalente a menos de um terço do orçamento alimentar da família.
Os dados são da 5ª edição do Ranking de Preferência do Consumidor, estudo da dunnhumby que ouviu mais de 10 mil compradores brasileiros entre fevereiro e abril de 2026 e consolida resultados de mais de 40 varejistas alimentares com atuação no país. O valor de R$ 298 é uma estimativa obtida pela divisão do gasto mensal pelo número médio de redes visitadas.
A cesta se divide entre formatos, não apenas entre lojas
A rotação não ocorre só entre concorrentes do mesmo formato. Segundo o estudo, 74% dos consumidores frequentam supermercados tradicionais e 63% recorrem ao atacarejo. O comércio local — feiras, hortifrútis e açougues — é procurado mensalmente por 36% dos entrevistados, na busca por produtos mais frescos.
A soma dos percentuais indica sobreposição: o mesmo consumidor circula por mais de um formato dentro do mês, com finalidades distintas em cada parada.
Orçamento pressionado sustenta o comportamento
O levantamento associa a divisão das compras à busca por preço, com comparação entre estabelecimentos, procura por promoções e substituição de produtos por alternativas mais baratas. Entre os entrevistados, 42% têm renda familiar de até R$ 3.499.
O cenário de preços tem sido de alívio parcial. A inflação nos supermercados recuou 0,3% em julho, puxada por legumes, com queda de 19,3% no preço médio, e carne bovina, com recuo de 1,2%. No sentido contrário, frutas subiram 5,6% e o leite longa vida avançou 4,4%.
A concentração aparece nas marcas próprias
Enquanto a cesta se pulveriza entre bandeiras, a produção de marcas próprias segue concentrada. Os dez maiores varejistas do país respondem por 65% das vendas de marcas próprias no acumulado até junho de 2026, segundo a NielsenIQ. O segmento cresceu 10,9% em volume e 11,9% em valor no mesmo período, ritmo 3,8 vezes superior ao do mercado.


