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Black Friday 2026: o calendário promocional dos marketplaces mudou

Com 7.7, 9.9, 10.10, 11.11 e 12.12 movimentando vendas o ano inteiro, a Black Friday deixou de ser o único evento do calendário — e a indústria precisa decidir em quais campanhas vale colocar margem, estoque e mídia

Retrato de Octavio Hozawa

Octavio Hozawa

Colunista · Especialista em Marketplace

· 2 min de leitura

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Black Friday 2026: o calendário promocional dos marketplaces mudou

A Black Friday continua sendo uma das datas mais importantes do e-commerce brasileiro. Em 2026, porém, ela divide espaço com uma sequência de campanhas que movimentam vendas muito antes de novembro.

Shopee, Mercado Livre, Amazon e Shein ampliaram a aposta nas chamadas datas duplas, como 7.7, 9.9, 10.10, 11.11 e 12.12. A Shopee já realizou mais de 60 dessas campanhas no Brasil. No Mercado Livre, o 7.7 de 2026 registrou o maior volume de vendas da história da plataforma no país, superando a Black Friday de 2025.

A Black Friday virou uma temporada de vendas

Os números mostram que o consumidor já não concentra toda a intenção de compra em uma única sexta-feira.

A Neotrust projeta R$ 13,3 bilhões em vendas online entre 26 e 29 de novembro de 2026, crescimento de 20,7% sobre 2025. O 11.11, sozinho, deve movimentar R$ 3,17 bilhões.

Essa pulverização já apareceu no ano passado: apenas 23,5% do faturamento do e-commerce em novembro ficou concentrado nos quatro dias da Black Friday.

Para os marketplaces, espalhar promoções ajuda a estimular a frequência e antecipar compras. Para a indústria, a conta é mais complexa.

Participar de tudo pode destruir margem

Se todo mês tem uma grande campanha, não faz sentido tratar todas como prioridade máxima.

Uma indústria que entra em 9.9, 10.10, 11.11, Black Friday e 12.12 com descontos agressivos, mídia adicional e subsídio de frete pode aumentar volume sem melhorar resultado.

Desconto precisa cumprir uma função comercial. Pode acelerar estoque, apoiar um lançamento, ganhar participação em uma categoria ou trazer novos consumidores. Fora disso, vira redução de margem.

Existe ainda outro efeito: quanto mais previsível fica o calendário promocional, mais fácil é para o consumidor adiar a compra esperando o próximo cupom.

E preço continua decisivo. Pesquisa da NielsenIQ mostra que 81,8% dos consumidores que compraram online na Black Friday de 2025 foram motivados pelos preços menores. Frete grátis apareceu em seguida, citado por 44,3%.

Cada marketplace precisa de um plano próprio

Para a indústria, a resposta é escolher melhor.

Cada marketplace tem audiência, calendário, custos de mídia, comissões e comportamento de compra próprios. Um SKU que faz sentido em uma campanha da Shopee pode não merecer o mesmo investimento no Mercado Livre. Outro pode ser preservado para a Black Friday por margem, estoque ou posicionamento.

O planejamento também precisa considerar a logística. Antecipar demanda em outubro pode comprometer a disponibilidade de novembro. Concentrar desconto em um produto sem capacidade de reposição transforma campanha em ruptura.

A Black Friday de 2026 continuará enorme, mas agora disputa atenção e orçamento com várias outras datas. Para a indústria, o desafio não é estar em todas as promoções, mas saber onde colocar margem, estoque e mídia para transformar volume em crescimento rentável.

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