A lacração chegou ao RH? Campanha eleitoral chega à vida empresarial
Demissão por motivação política pode ser enquadrada como dispensa discriminatória, com multa, dano moral e reintegração — e, em plena escassez de mão de obra e às vésperas da escala 5x2, dispensar quem trabalha bem é o pior negócio possível

Colunista · Franchising

Eu não acredito que o empresário demita bons funcionários por escolherem um candidato diferente do seu.
Recebi vídeos e posts de empresários lacradores, com áudio, vídeo e dicção perfeitos para uma viralização, comunicando a demissão de funcionários que votaram em candidatos diferentes da sua orientação política.
A escala 5x2, aprovada com votos de governo e oposição, vai aumentar a necessidade de mão de obra a partir de dezembro. Precisaremos contratar gente.
No mundo real, o empresariado está com dificuldade para completar seus quadros de colaboradores. Estamos buscando fontes alternativas e conexões com escolas para pescar talentos já no ensino médio.
Nesse cenário de escassez, eu só consigo classificar os vídeos como mentiras de empresários de palco. Daqueles que falam o que viraliza, sem compromisso com a verdade.
Podem até ter demitido funcionários que já estavam na lista de dispensa e aproveitado a ocasião para lacrar. Atenção à legalidade.
Legislação trabalhista
“A demissão, mesmo sem justa causa, por motivação política pode ser classificada como dispensa discriminatória nos termos da Lei nº 9.029/1995 e gerar multas administrativas, indenização por danos morais, reintegração ao emprego com recebimento dos salários do período de afastamento ou recebimento em dobro desses salários sem a reintegração”, afirma o advogado trabalhista Leandro Luiz de Oliveira.
Separe o palanque da gestão
Você, empresário de verdade, deve separar muito bem a política eleitoral da gestão de recursos humanos. Sugiro, inclusive, a consulta a um advogado trabalhista especialista para te prevenir de possíveis infrações a serem investigadas pelo Ministério Público do Trabalho.
Aos lacradores, meu mais profundo desprezo. Aos empresários como eu, que vivem a realidade, minha recomendação de equilíbrio e maturidade. Respira!
Vai passar
“Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe.”


