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Safra de trigo cai 27,2% e indústria aponta custo maior da farinha em 2027

Conab estima produção de 5,7 milhões de toneladas em 2026, menos da metade do que o país consome. Farinha, massas, biscoitos e o pão da padaria de loja entram na conta

Varejo News

· 2 min de leitura

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Safra de trigo cai 27,2% e indústria aponta custo maior da farinha em 2027

A safra brasileira de trigo de 2026 está estimada em 5,7 milhões de toneladas, queda de aproximadamente 27,2% em relação ao ano anterior. O número é do 1º Levantamento da Safra de Grãos 2026/27, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 15 de outubro. Segundo a estatal, a redução vem da diminuição da área plantada e da produtividade do cereal. Até o início de outubro, 40,3% da área havia sido colhida.

O trigo chega ao supermercado em forma de farinha, massas, biscoitos, pães industrializados e insumo da panificação própria da loja.

A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) afirmou, em nota divulgada em agosto, que a combinação entre menor produção doméstica e maior dependência de importação pressiona o custo da moagem, com possíveis reflexos sobre a indústria de alimentos. A entidade afirmou não haver risco de desabastecimento no mercado interno. Segundo a associação, a estrutura de abastecimento do país amplia a exposição do setor a oscilações de preços externos, logística e câmbio.

A Abitrigo apontou ainda que a forte queda dos preços do milho reduziu a competitividade e o valor do farelo de trigo, subproduto da moagem vendido para alimentação animal. Segundo a entidade, com o farelo valendo menos, a farinha passa a responder por uma fatia maior da receita do moinho.

Em comunicação anterior ao seu congresso anual, a Abitrigo informou que as compras externas podem chegar a 9 milhões de toneladas no ciclo atual, acima da estimativa inicial de 7,5 milhões. O presidente-executivo da entidade, Rubens Barbosa, afirmou que as oscilações climáticas forçam uma revisão no planejamento do abastecimento.

No 33º Congresso Internacional da Indústria do Trigo, realizado pela Abitrigo entre 21 e 23 de outubro no Rio de Janeiro, a projeção apresentada foi maior. Elcio Bento, especialista em trigo da consultoria Safras & Mercado, afirmou que a importação brasileira pode chegar a 10 milhões de toneladas em 2027. Ele trabalha com estimativa de produção nacional de 5,12 milhões de toneladas, volume que atenderia cerca de 36% do consumo brasileiro.

Para a mesma safra, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projetou 5,8 milhões de toneladas em outubro.

Segundo Bento, o Paraná passaria de um excedente de 100 mil toneladas para um déficit de 1,85 milhão de toneladas. Ele afirmou que a logística tende a favorecer os moinhos bem posicionados para receber trigo importado, enquanto a moagem de trigos nacionais heterogêneos exigirá maior eficiência.

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