Consumidores de alta renda puxam faturamento do e-commerce brasileiro
Estudo do Data Insights Studio revela que o e-commerce avançou 5,3% no primeiro semestre de 2026, distância recorde em relação ao varejo físico, puxado pelo público de alta renda e por consumidores que retornam após a primeira compra

Um levantamento do Data Insights Studio, braço de estudos da Cielo, revela que quase metade do dinheiro movimentado pelo comércio eletrônico no Brasil vem de um grupo específico: consumidores de altíssima renda, responsáveis por 44% de todo o faturamento do canal. A análise usou como base o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), com dados de janeiro a junho de 2026.
Quem compra e quando
O levantamento traça um retrato detalhado do comportamento de compra online. Homens concentram a maior parte dos gastos, com 55% do faturamento total. Já a distribuição ao longo da semana é bastante regular: de segunda a sexta-feira, cada dia responde por uma fatia entre 16% e 16,3% das compras — um ritmo que cai visivelmente aos finais de semana, quando o sábado fica com 10,2% e o domingo, com apenas 9,3%.
Na forma de pagamento, o crédito é soberano. Somadas, as compras à vista (47,8%) e parceladas (47,7%) representam mais de 95% de tudo o que é faturado no canal.
O viajante que gasta mais do que compra
Entre os diferentes perfis de consumo identificados no estudo, um dado chama atenção: o público classificado como viajante concentra 11,7% do faturamento com apenas 2,5% das transações realizadas — sinal de que, quando esse grupo compra, gasta significativamente acima da média. Ainda assim, o perfil que lidera em faturamento é o chamado "Conectado", responsável por 34,5% do total. Vale destacar que essas categorias não medem quanto cada grupo gasta em determinado segmento, mas sim o quanto seu interesse por essa categoria se destaca em relação aos demais consumidores.
Ritmo de crescimento acima do varejo tradicional
Os números também mostram que o e-commerce segue crescendo em ritmo mais acelerado que o varejo como um todo. No acumulado até junho de 2026, o canal digital avançou 5,3%, enquanto o varejo total cresceu apenas 2% — a maior diferença entre os dois desde que a série histórica começou a ser observada, em 2023.
Essa distância vem se mantendo ano após ano: em 2023, o e-commerce cresceu 4,1% contra 3,5% do varejo total; em 2024, a diferença foi de 6,1% para 3,5%; e em 2025, de 5,1% para 4,1%.
Fidelização e migração de canal
O estudo também aponta que o e-commerce vem conseguindo reter bem quem experimenta comprar online pela primeira vez: dos consumidores que estrearam no canal em 2026, 42% já fizeram pelo menos uma segunda compra no período analisado. Além disso, há sinais de migração entre canais — 5% dos consumidores que compravam exclusivamente em lojas físicas em 2025 já realizaram alguma compra online neste ano.


