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Oferta de whey segue restrita em 2026 e indústria começa a trocar a base proteica dos lançamentos

Preço da tonelada do concentrado subiu até 120% em um ano no Brasil, segundo a Abenutri, que espera novas capacidades produtivas a partir de 2027. Ervilha, amêndoa e proteína bovina entram nos lançamentos de agosto

Varejo News

· 4 min de leitura

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Oferta de whey segue restrita em 2026 e indústria começa a trocar a base proteica dos lançamentos

A oferta de whey protein deve permanecer restrita até o fim de 2026, com novas capacidades produtivas esperadas apenas a partir de 2027. A avaliação é da Associação Brasileira das Empresas de Produtos Nutricionais (Abenutri).

Segundo a entidade, o preço da tonelada do whey concentrado subiu até 120% no Brasil em um ano. Ainda conforme a Abenutri, o país concentra cerca de 60% do consumo de whey protein da América do Sul, com crescimento médio de 8% ao ano entre 2020 e 2025.

Em 24 de junho, a Abenutri publicou em seu próprio site matéria sob o título "Mercado de suplementos alerta sobre colapso estrutural de whey protein".

Nos Estados Unidos, um dos principais fabricantes, o preço do whey com 80% de teor proteico quase triplicou em 2025, segundo dados da consultoria Vesper. Não há previsão de queda.

Novos lançamentos usam ervilha, amêndoa e carne bovina

A restrição já aparece na formulação dos produtos que chegaram ao mercado neste semestre.

A Almond Breeze, marca licenciada no Brasil pelo Grupo Piracanjuba, lançou em agosto sua primeira bebida vegetal proteica no país, combinando amêndoas e proteína de ervilha, com 15 gramas de proteína em embalagem de 250 ml, sem lactose, nos sabores caramelo salgado e manga com maracujá.

A Integralmedica lançou o Beef Protein, feito com proteína derivada de carne bovina, com 30 gramas de proteína por porção, além de whey em sachê de 30 gramas com 20 gramas de proteína. 

No segmento de ingredientes, a JBS criou a Genu-in em 2022, voltada a colágeno, dentro de um plano de investimentos de R$ 400 milhões, e prepara expansão de capacidade.

A própria Abenutri avalia que a restrição da oferta de whey pode estimular empresas brasileiras a buscar proteínas derivadas de carne, vegetais, leveduras e produtos obtidos por fermentação.

A falta de whey já interrompeu produção no exterior

A troca de ingrediente não é um movimento restrito ao Brasil. Reportagem da agência de notícias Bloomberg, publicada em 1º de junho, mostrou que a escassez de whey levou fabricantes de alimentos na América do Norte e na Europa a suspender produção ou reformular produtos, depois que fornecedores ficaram sem estoque.

A empresa canadense HelloAmino, que usa whey nas 30 misturas de panificação que vende, foi avisada por seu fornecedor, no início de maio, de que o estoque havia acabado. Segundo a fundadora Aelie Swift, a companhia encontrou outro fornecedor, mas passou a importar o ingrediente de fora dos Estados Unidos a um preço 50% maior, com nova alta prevista.

A britânica Majic Protein, que produz sobremesas com alto teor proteico, viu o preço do whey subir 30% em três meses antes de o fornecedor informar que ficaria sem estoque até setembro, conforme o cofundador Ben Ayres. Ele afirmou à Bloomberg que encontrar substituto para a proteína do soro do leite não é tarefa simples.

Uma das alternativas apontadas na reportagem é o concentrado de proteína do leite, mais barato que os produtos à base de whey. Nate Donnay, diretor de inteligência de mercado de lácteos do StoneX Group, explicou que o processo de fabricação é mais simples, porque parte do leite em vez do soro, que é subproduto da produção de queijo — mas ressalvou que não se trata de substituição direta para os fabricantes de alimentos. Soja e ervilha também aparecem entre as opções consideradas.

O whey é obtido do soro do leite e é, principalmente, subproduto da fabricação de queijo, passando por processos de filtração, concentração e secagem. Para produzir o suplemento em larga escala, as empresas precisam importar a maior parte da matéria-prima.

O tamanho da demanda que pressiona a cadeia

O que sustenta essa pressão é o desempenho recente da categoria no varejo alimentar.

Levantamento da Scanntech em parceria com a McKinsey, divulgado em janeiro de 2026 e referente ao período de janeiro a outubro de 2025, registrou alta de 124% nas vendas de whey protein. No mesmo recorte, a creatina cresceu 89%, os cereais proteicos 21%, os iogurtes proteicos 16%, os produtos pré e pós-treino 16% e os leites saborizados com proteína 14%.

Segundo a Scanntech, o crescimento levou fabricantes a revisitar portfólios e a lançar versões enriquecidas com proteína em categorias tradicionais, como laticínios, snacks, bebidas prontas e sobremesas.

Canetas emagrecedoras como vetor adicional

Estudo da NielsenIQ publicado em abril deste ano aponta que, entre brasileiros que usam medicamentos à base de GLP-1, 84,4% afirmaram ter aumentado o consumo de proteínas animais e 67,6% passaram a comprar mais verduras e legumes. Na direção oposta, 76,9% reduziram ou zeraram chocolates e doces e 73,4% diminuíram snacks e biscoitos.


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