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Com 30% do mercado global, Europa concentra crescimento do pet em saúde preventiva

Volumes premium desaceleram e o meio da tabela encolhe. O valor migra para suplementação, microbioma e longevidade, categorias que ainda pesam pouco no mix brasileiro

· 3 min de leitura

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Com 30% do mercado global, Europa concentra crescimento do pet em saúde preventiva

O mercado global de pet care deve fechar 2026 perto de US$ 225 bilhões, segundo projeção da Euromonitor International apresentada na abertura do Petfood Forum Europe, em Nuremberg, realizado junto com a Interzoo. A Europa responde por 30% do valor de varejo do setor e mantém a segunda posição mundial. O dado interessa ao lojista brasileiro menos pelo tamanho e mais pelo desenho: é um mercado maduro que já passou pela fase de crescimento fácil e agora precisa crescer em valor, não em volume, exatamente o problema que chegou ao Brasil.

O meio da tabela sumiu

A leitura europeia derruba a divisão simples entre "econômico" e "premium". Segmentos premium crescem tanto na Europa Ocidental quanto na Oriental, enquanto a faixa de valor passou a incorporar atributos premium. O resultado é a compressão do meio da tabela, num padrão de crescimento em K puxado pelo aperto financeiro do consumidor.

Traduzindo para a gôndola: a linha intermediária é a que perde espaço. O tutor que reduz gasto não desce ao pior produto disponível, ele procura o produto barato que entrega proteína, ingrediente reconhecível e alegação funcional. Quem trabalha mix pet, seja petshop de bairro, distribuidor regional ou seção pet de supermercado, precisa revisar se o meio do sortimento ainda justifica o espaço que ocupa.

O perfil do animal reforça o movimento. Gatos lideram a população europeia e a participação de cães de pequeno porte cresce. Menos calorias por animal significa menos quilos vendidos por tutor, mesmo com a base de pets estável. O crescimento tem de vir do valor por unidade.

Saúde preventiva

A Euromonitor descreve o setor europeu num ponto de inflexão. Com a humanização já madura, o comportamento do tutor migra do cuidado reativo para a gestão proativa da saúde do pet, o que altera a demanda por nutrição e produtos de bem-estar. Com os volumes premium começando a arrefecer, a indústria precisa recalibrar.

Na prática, o eixo de crescimento é suplementação, saúde intestinal e microbioma, imunidade e longevidade, sustentados por comprovação científica. Não é categoria de impulso: é venda recorrente, de ticket alto e margem superior à ração, com baixa elasticidade porque o tutor associa o produto à saúde do animal, não ao orçamento doméstico.

O Brasil tem espaço estrutural aqui. O pet food ainda concentra cerca de 53% do faturamento nacional, enquanto os produtos veterinários ficam próximos de 10,5%. A distribuição revela dependência de uma categoria de baixa margem e alto giro, exatamente a que a Europa já viu desacelerar em volume.

Por que isso vira decisão agora

O setor pet brasileiro faturou R$ 77,96 bilhões em 2025, com alta nominal de 3,45% contra IPCA de 4,26%, primeira retração real em seis anos. A projeção para 2026 é de crescimento de 9,6%, ultrapassando R$ 80 bilhões. A recuperação projetada não é automática: vem de serviços especializados e digitalização, não de mais sacos de ração vendidos.

Na Europa, a expansão mais forte está no Leste, com CAGR projetado de 3,2% entre 2026 e 2031. É um ritmo modesto, que mostra o que acontece quando o mercado amadurece sem redesenhar o mix.

Quatro movimentos concentram a recomendação apresentada no evento: construir percepção de valor em todas as faixas de preço, desenvolver soluções para necessidades específicas do animal, sustentar alegações de saúde com evidência científica e adaptar a estratégia comercial a cada canal. Para o varejo pet brasileiro, o teste prático é medir quanto do faturamento ainda depende de categoria que cresce em volume e tratar a diferença como meta de sortimento para os próximos ciclos de compra, antes que a compressão do meio da tabela chegue à gôndola nacional com a mesma velocidade observada na Europa.

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