Cliente que pede entrega gasta 26% a mais na farmácia
Levantamento da Zetti Brasil com mais de 1.600 farmácias independentes e regionais mostra que digital e delivery cresceram cerca do dobro do avanço geral no primeiro semestre de 2026

O varejo farmacêutico de pequeno e médio porte movimentou mais de R$ 3,9 bilhões entre janeiro e junho de 2026, em cerca de 56 milhões de transações, segundo levantamento da Zetti Brasil com dados de mais de 1.600 operações usuárias da plataforma Vetor Farma. Na comparação anual, o faturamento cresceu 8,2% e o volume de vendas avançou 6,1%, com ticket médio de R$ 70,04, alta de 1,9%.
O desempenho por canal, no entanto, é bastante desigual. As vendas por aplicativos, sites e marketplaces avançaram 14,7% em faturamento e 12,3% em transações, com ticket médio de R$ 82,37, valor 17,6% superior ao das lojas físicas das mesmas operações.
Delivery deixa de ser compra de urgência
As entregas cresceram 13,2% em faturamento e 11,8% em número de pedidos, com ticket médio de R$ 88,54, o que representa 26,4% acima da média geral e contraria a leitura de que o delivery farmacêutico seria um canal de compras pequenas e de urgência. O padrão sugere que quem recebe em casa concentra a compra, incorporando ao pedido itens de uso contínuo e cuidado pessoal que antes viriam de visitas separadas à loja, o que dilui o custo logístico em um valor de pedido maior.
Cadastro responde por quase dois terços das vendas
As compras vinculadas a consumidores identificados representaram 62,4% do faturamento total, com alta de 10,5% em receita e ticket médio de R$ 75,31, cifra 13,6% acima da média. Na avaliação da Zetti Brasil, o resultado reflete o investimento das farmácias em fidelidade e gestão de relacionamento num cenário de inflação elevada e pressão sobre o consumo.
Vale registrar que a amostra reúne majoritariamente farmácias independentes e redes regionais usuárias de uma mesma plataforma de gestão, o que exclui as grandes redes nacionais e impede a leitura dos números como retrato do setor. É esse recorte, porém, que dá valor ao levantamento, por iluminar um segmento pouco coberto pelas estatísticas públicas do canal farma.
O que o semestre indica é que a farmácia independente segue crescendo, mas que o crescimento está migrando para fora do balcão, concentrado em canais que exigem cadastro estruturado, integração de estoque e operação de entrega.


