Pular para o conteúdo

Biscoito, massa, pão e bolo vendem menos quilo, mas faturam mais no 1º semestre

Mistura para bolo foi o único segmento a crescer em valor e em volume; bolo industrializado pronto caiu nos dois

Varejo News

· 2 min de leitura

Compartilhar
Biscoito, massa, pão e bolo vendem menos quilo, mas faturam mais no 1º semestre

Biscoitos, massas alimentícias, pães e bolos industrializados venderam menos volume no primeiro semestre de 2026, enquanto o faturamento do conjunto cresceu 2,1%. O setor movimentou R$ 36 bilhões, com recuo de 2,1% no volume comercializado. Os dados são da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães Industrializados (Abimapi), apurados com a NielsenIQ e divulgados em 27 de agosto.

O descolamento entre receita e quilo vendido apareceu em todas as categorias e define comportamentos distintos de reposição em cada ponto da seção.

Biscoito perde quilo e ganha receita

Biscoitos movimentaram R$ 18 bilhões, alta de 3,7%, com queda de 2,3% no volume, que somou 747 mil toneladas. É a maior linha e a de melhor desempenho em faturamento.

A Abimapi atribui o resultado ao que chama de efeito ampulheta, quando a compra se concentra nos dois extremos: básicos de consumo cotidiano e itens premium de maior valor agregado. Cobertos, cookies e recheados doces já respondem por 10,3% do faturamento da categoria.

Pão de hambúrguer avança enquanto pão de forma recua

Os pães industrializados faturaram R$ 8,4 bilhões, alta de 1,1%, com queda de 3,9% no volume, o segundo maior recuo do levantamento. Segundo a Abimapi, a atuação de fabricantes e marcas menores contribuiu para o desempenho do pão de forma comum.

Os pães para hambúrguer e hot dog mantiveram trajetória positiva, movimento que a entidade associa à transferência de refeições rápidas feitas fora de casa para o ambiente doméstico. O pão de hambúrguer registrou alta de 15,6% nas ocasiões de compra por lar.

Massas caem em valor, com alta nas refrigeradas

As massas alimentícias somaram R$ 7,6 bilhões, queda de 0,8% em faturamento e de 1,5% em volume. O destaque positivo foi o segmento de massas refrigeradas, que cresceu 6,4% em valor. Grano duro e caseiro também tiveram contribuição positiva, movimento que a Abimapi associa à procura por produtos ligados a mais saúde.

Mistura para bolo cresce nas duas pontas

Os bolos industrializados faturaram R$ 1,4 bilhão, queda de 0,8%, com recuo de 7,4% no volume — a maior perda do levantamento.

As misturas para bolo foram o único segmento a crescer nos dois indicadores: R$ 613 milhões, alta de 14,7% em faturamento, com avanço de 4,1% no volume.

Indústria credita resultado a portfólio e preço percebido

Para o presidente executivo da Abimapi, Claudio Zanão, a diversificação dos portfólios e o lançamento de novos produtos permitiram atender desde consumidores que priorizam economia até os que seguem comprando itens de maior valor agregado.

O diretor executivo de crescimento estratégico de negócios da NielsenIQ, Claudio Czarnobai, afirmou na mesma nota que a busca por economia passou a integrar uma estratégia mais permanente de compra: o consumidor racionaliza gastos em básicos, mas continua disposto a comprar indulgentes de maior valor quando identifica benefícios que justifiquem o preço.

A Abimapi reúne mais de 110 empresas, que respondem por cerca de 80% do mercado do setor. Os dados cobrem janeiro a junho de 2026.

Leia também