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A próxima década do varejo farmacêutico será desenhada por GLP-1, saúde e regulação digital

Emagrecedores puxam um ciclo longo de crescimento, farmácias avançam sobre o território da atenção primária e o e-commerce cobra regras claras para marketplaces

· 3 min de leitura

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A próxima década do varejo farmacêutico será desenhada por GLP-1, saúde e regulação digital

Os medicamentos GLP-1, a expansão dos serviços clínicos em farmácia e a venda de remédios por marketplaces devem definir o desempenho do varejo farmacêutico brasileiro nos próximos 10 a 15 anos. A leitura é de Sergio Mena Barreto, presidente da Abrafarma, na 13ª edição do Abrafarma Future Trends: um ciclo estrutural, não um pico de demanda.

Ciclo GLP-1 está no começo, não no auge

Os medicamentos da classe GLP-1, usados no tratamento da obesidade, se firmaram como o principal motor dessa transformação. A penetração atual no Brasil ainda é pequena diante da população potencialmente elegível ao tratamento, o que significa que o volume visto até aqui representa a base, e não o teto, da curva.

O movimento que deve destravar esse potencial é conhecido: a chegada de similares e genéricos tende a puxar os preços para baixo e levar o tratamento a faixas de renda hoje fora do mercado. O efeito colateral é comercial e favorece a farmácia: tratamentos prolongados arrastam consigo demanda por nutrição, suplementação e bem-estar, categorias de margem melhor e recompra previsível.

O pano de fundo é de força financeira. As redes associadas à Abrafarma movimentaram R$ 118,5 bilhões em 2025, com a RD Saúde liderando o ranking do segmento.

Farmácia como porta de entrada

A segunda frente é menos visível no faturamento e mais decisiva no posicionamento. Desde a legislação de 2014, que ampliou as atribuições do setor, a farmácia deixou de ser apenas ponto de venda de medicamento para oferecer vacinação e testes rápidos e a direção apontada agora é de integração mais profunda com o sistema de saúde.

A referência citada pelo setor é o modelo britânico Pharmacy First, no qual farmácias credenciadas atendem determinadas condições clínicas seguindo protocolos definidos, aliviando a pressão sobre hospitais e prontos-socorros em casos de baixa complexidade. O argumento é de eficiência: a capilaridade da rede farmacêutica já existe e está mais próxima da população do que qualquer outro equipamento de saúde.

Digital consolidado, regulação em aberto

O terceiro vetor é o que carrega mais risco de curto prazo. As vendas fora da loja física nas redes ligadas à Abrafarma saíram de cerca de R$ 1 bilhão antes de 2020 para algo próximo de R$ 27 bilhões, um salto que encerra a discussão sobre se o e-commerce farmacêutico se consolidaria.

A disputa agora é sobre quem responde pelo que se vende. A Anvisa revogou recentemente restrições que impediam plataformas como iFood, Rappi e Mercado Livre de comercializar e entregar medicamentos, mas a regulamentação detalhada ainda não foi publicada. A posição do varejo farmacêutico é direta: medicamento integra uma cadeia de distribuição fechada e a abertura do canal precisa vir com corresponsabilização explícita das plataformas. É esse texto pendente que vai definir a competitividade do setor nos próximos anos.

Limite da automação

Tecnologia entra nesse desenho como camada de performance, não de substituição. Inteligência artificial, automação e omnicanalidade ganham espaço na operação, mas o consumidor que procura a farmácia costuma chegar com uma dor ou necessidade imediata e acolhimento segue sendo diferencial competitivo difícil de replicar em interface.

Farmácias dentro de supermercados, nesse cenário, são tratadas com naturalidade pelo setor: mais uma opção de compra, desde que cumpram integralmente as mesmas exigências de uma farmácia de rua, incluindo presença de farmacêutico e normas sanitárias.

O encontro que reuniu essas leituras, realizado em 12 e 13 de agosto no Distrito Anhembi, em São Paulo, levou cerca de 7 mil profissionais do setor.



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