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Queda no fluxo de clientes faz de agosto o mês mais fraco do ano no varejo alimentar

Faturamento em mesmas lojas subiu 0,9%, sustentado apenas por preço; índice antecedente do IDV projeta desaceleração até outubro

Varejo News

· 2 min de leitura

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Queda no fluxo de clientes faz de agosto o mês mais fraco do ano no varejo alimentar

Agosto foi o mês mais fraco de 2026 para o varejo alimentar tanto em valor quanto em unidades vendidas, segundo o Radar Scanntech. Nas lojas em funcionamento há mais de um ano, o faturamento cresceu 0,9%, sustentado pela alta de 4,2% no preço por unidade. As unidades vendidas recuaram 3,1%.

A causa apontada no levantamento é o movimento de clientes. O fluxo em loja caiu 3% no mês. Não se trata de carrinho menor: é menos gente entrando na loja.

Entre os formatos, os supermercados de 1 a 4 checkouts registraram a maior alta de preço por unidade, de 6,2%, acompanhada da maior queda em unidades, de 5,5%. Na outra ponta, o atacarejo teve a menor retração em volume, de 2,2%, e também o menor reajuste, de 3% — revertendo a tendência observada ao longo do ano. A relação se repetiu nos demais formatos: quem subiu mais preço perdeu mais volume.

Por região, todas registraram crescimento em faturamento e retração em consumo. O Centro-Oeste teve o melhor resultado em valor, com 2,9%, sustentado pelo maior reajuste de preço do país, de 7,3%, e ao mesmo tempo a maior queda em unidades. Sul e São Paulo tiveram os piores desempenhos em valor, com aumentos de preço próximos da média nacional e queda no volume vendido.

Pressão de carnes e endividamento

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) projetou para 2026 alta de 4,2% nos preços dos alimentos para consumo no domicílio, apontando as carnes como principal fonte de pressão, com expectativa de migração de demanda para outras proteínas.

O movimento apareceu nos dados de agosto do mercado de carnes. O Indicador do Boi Gordo CEPEA/ESALQ fechou o mês com alta real de 9,8% em 12 meses, e a carcaça casada no atacado da Grande São Paulo passou a ser negociada no maior patamar nominal do ano.

Do lado do consumidor, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontou endividamento de 82% das famílias em julho, sexto recorde mensal consecutivo. Entre os lares com renda de até três salários mínimos, a inadimplência chegou a 38,5%.

O que se projeta até outubro

O Índice Antecedente de Vendas do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IAV-IDV), divulgado em 31 de agosto, registrou alta de 2,3% nas vendas de hipermercados e supermercados em julho e projeta 1,4% em agosto, 1,9% em setembro e 0,9% em outubro.

No agregado do varejo, as vendas reais recuaram 2,8% em julho. As projeções nominais são de 1,8% em agosto, 2,3% em setembro e 2,3% em outubro. Descontado o IPCA, o índice prevê retração real de 2,6%, 2,1% e 2,4% nos três meses.

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