Oferta menor de boi para abate eleva o custo da carne no supermercado
Arroba fechou agosto a R$ 345,92 no indicador do Cepea, alta real de 9,8% em 12 meses; carcaça no atacado paulista atingiu o maior patamar nominal do ano

A oferta mais restrita de animais prontos para abate elevou o preço do boi gordo em agosto e chegou ao atacado. O Indicador do Boi Gordo CEPEA/ESALQ, referência para o estado de São Paulo, fechou o mês com média de R$ 345,92 por arroba, alta real de 3,1% sobre julho e de 9,8% em relação a agosto de 2025, com valores deflacionados pelo IGP-DI de julho de 2026.
Segundo levantamento do Cepea divulgado em 4 de setembro, a carcaça casada do boi gordo passou a ser negociada no maior patamar nominal do ano no mercado atacadista de carne com osso da Grande São Paulo. Atacadistas da região relatam ao centro de pesquisas oferta menor por parte dos frigoríficos e aquecimento do consumo. Para o Cepea, a menor disponibilidade de bovinos terminados e a perspectiva de uma oferta de animais de confinamento inferior à de 2025 reduzem o espaço para quedas mais acentuadas.
Na média nacional, o quadro de julho já era distinto do paulista. O AbrasMercado, indicador da ABRAS que acompanha 35 produtos de largo consumo, registrou preços das carnes bovinas praticamente estáveis no mês. No acumulado do ano até julho, o corte traseiro acumulava alta de 8,24% e o dianteiro, de 7,09%. A cesta recuou 1,24% em julho, com o valor médio passando de R$ 852,54 para R$ 841,95, e acumulava alta de 5,20% no ano.
Em São Paulo, o Índice de Preços de Supermercados (IPS), elaborado pela Associação Paulista de Supermercados (APAS) em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), apontou queda em seis cortes bovinos em julho: acém, 3,90%; alcatra, 2,77%; coxão mole, 2,45%; contrafilé, 1,76%; patinho, 1,39%; e filé mignon, 1,30%.
A APAS atribuiu o recuo à desaceleração das exportações. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as vendas externas de carne bovina somaram US$ 1,4 bilhão em julho, queda de 21% sobre junho, depois de um primeiro semestre de recordes. A retração foi influenciada pela redução das vendas à China: no início de julho o Brasil atingiu a cota anual de 1,1 milhão de toneladas para importação sem tarifa adicional, e o excedente passou a estar sujeito a tarifa de 55%.
A carne suína seguiu direção oposta à do boi. O preço médio real do suíno vivo na praça SP-5, que reúne Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba, é o menor da série histórica do Cepea, iniciada em março de 2002. O animal vivo posto na indústria teve média de R$ 4,97 por quilo em agosto, queda de 4% sobre julho. O Cepea aponta demanda enfraquecida na ponta final do mercado e elevada oferta interna. No AbrasMercado, o pernil acumulava queda de 6,10% no ano até julho, e o frango congelado, de 1,44%.


