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Espumante mantém giro no varejo, mas o vinho chega ao último trimestre com canal abastecido

Sell-in do setor cresceu 2% em volume no primeiro semestre, enquanto a receita subiu 9%; comercialização de vinhos no RS ficou estagnada em 112 milhões de litros

Varejo News

· 5 min de leitura

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Espumante mantém giro no varejo, mas o vinho chega ao último trimestre com canal abastecido

O varejo alimentar entra no trimestre de maior venda de espumantes com dois movimentos opostos dentro da mesma categoria de bebidas. Os espumantes registraram crescimento em volume e em valor no varejo no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento da consultoria Ideal.BI divulgado em agosto. No mesmo período, o conjunto do mercado de vinhos e espumantes teve alta de 2% em volume e de 9% em receita, ou seja, o avanço do faturamento veio de preço, não de quantidade vendida.

A consultoria projeta que o mercado brasileiro de espumantes feche 2026 entre 4,3 milhões e 4,7 milhões de caixas de 9 litros. O intervalo de cerca de 400 mil caixas entre os dois cenários depende do comportamento do consumo no segundo semestre: o piso considera ajuste de estoques, e o teto, aceleração da demanda. A projeção parte da proporção histórica em que o primeiro trimestre responde por 18% do volume anual.

O levantamento da Ideal.BI mede sell-in, o volume de importação somado à venda das vinícolas para o varejo, e apontou 23,27 milhões de caixas de 9 litros comercializadas entre janeiro e junho de 2026, com movimentação de aproximadamente R$ 9,8 bilhões. A consultoria é uma empresa privada e não divulga a metodologia do levantamento nem os dados consolidados de sell-out, que correspondem à venda do varejo ao consumidor final.

O CEO da Ideal.BI, Felipe Galtaroça, afirmou em agosto que o sell-out de vinhos caiu no primeiro semestre e que o varejo deve estar estocado. Segundo ele, o espumante teve aceitação maior do que os demais vinhos durante o período da Copa do Mundo.

Espumante nacional avança e importado recua

Na abertura por categoria do primeiro semestre de 2026, a Ideal.BI registrou avanço dos espumantes produzidos no Brasil e queda de 7% nos importados.

No primeiro trimestre isolado, o mesmo levantamento apontou crescimento de 9% no volume de espumantes nacionais comercializados internamente e retração de 24% nas importações da categoria, influenciada principalmente pela redução de 57% nos embarques vindos da Espanha. No mesmo trimestre, porém, o consumo de espumantes recuou 1,4%, enquanto o abastecimento do mercado de vinhos e espumantes subiu 12%, para 10,22 milhões de caixas.

Os dois recortes são de períodos diferentes e não se anulam: a queda de consumo é do primeiro trimestre; o crescimento no varejo em volume e valor refere-se ao semestre fechado.

Em 2025, a categoria de espumantes alcançou 4,5 milhões de caixas de 9 litros comercializadas no país, alta de 8% sobre 2024, conforme dado da Ideal.BI apresentado em março de 2026.

Vinho pressiona o produto de entrada

O vinho tranquilo — sem gás, que reúne tintos, brancos e rosés — aponta na direção contrária.

O levantamento do primeiro semestre identificou melhor desempenho dos rótulos de maior valor agregado e maior pressão sobre os produtos de entrada. Os tintos responderam por 74% do volume comercializado, com alta de 7%. Os brancos ficaram com 20% e os rosés com 6%, com retração de 2,9% em volume.

No segundo trimestre de 2026, as vendas da indústria nacional para os canais de distribuição recuaram 14%, enquanto as importações avançaram 15%.

Comercialização no RS ficou estagnada no semestre

Os dados oficiais do Rio Grande do Sul, estado que concentra a maior parte da produção nacional de espumantes, mostram estagnação no conjunto de vinhos. A comercialização total somou 112 milhões de litros no primeiro semestre de 2026, no mesmo patamar registrado em 2025, segundo levantamento do diretor da Cenecoop Serra, Leocir Bottega, elaborado a partir dos dados brutos do Sisdevin, sistema de declarações vinícolas da Secretaria Estadual da Agricultura. Os números foram divulgados em 31 de julho de 2026.

No mesmo período, sucos integral e reconstituído somaram 73,3 milhões de litros, alta de 35%, e o mosto concentrado ficou estável em 14 milhões de quilos.

Bottega afirmou que a combinação de comercialização estagnada com uma safra de uvas próxima de 900 milhões de quilos em 2026 tende a tornar o próximo ano o momento mais crítico para o setor no estado. Quando os dados foram divulgados, as estatísticas oficiais de estoque no fim de 2025 e de elaboração de produtos da safra 2026 ainda não haviam sido publicadas.

A série do Sisdevin registra comportamento diferente para o espumante dentro do conjunto. Em 2025, a categoria comercializou 19,3 milhões de litros no estado, alta de 11,45%, e o moscatel espumante somou mais de 14 milhões de litros, com crescimento de 9,98%. No primeiro trimestre de 2026, a comercialização de espumantes no mercado interno chegou a 2.693.805 litros, alta de 9,8% sobre o mesmo período de 2025.

Os dados do Sisdevin são declaratórios, de responsabilidade dos estabelecimentos vinícolas que os informam ao sistema, e cobrem apenas o Rio Grande do Sul.

Fabricante projeta 10%, consultoria trabalha com dois cenários

A Cooperativa Vinícola Aurora informou em 22 de setembro, durante a ProWine São Paulo, que projeta crescimento de cerca de 10% nas vendas de espumantes no fim de 2026 ante o mesmo período de 2025. A estimativa é da própria empresa, que não divulgou a base de cálculo. A cooperativa, de capital fechado, registrou faturamento de R$ 888,4 milhões em 2025 e declara ocupar a segunda posição em participação no mercado brasileiro de espumantes.

A projeção da Aurora se refere ao desempenho da própria cooperativa. A da Ideal.BI, com piso de 4,3 milhões e teto de 4,7 milhões de caixas, trata do mercado brasileiro de espumantes como um todo e considera dois cenários distintos para o segundo semestre.


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