Conab projeta safras menores de batata e cebola no Sul na virada do ano
Boletim da companhia aponta produção sulista abaixo da temporada anterior no período em que esses estados ganham peso no abastecimento das Ceasas

A Conab aponta perspectiva de safras menores de batata e cebola na Região Sul para o fim de 2026 e o início de 2027, período em que esses estados costumam ganhar relevância no abastecimento das Centrais de Abastecimento.
No caso da batata, a companhia registra que a produção sulista continua indefinida quanto às previsões, mas que, até agora, os números apontam uma safra das águas 2026/27 inferior à de 2025/26, com a confirmação da existência de um forte El Niño entre os fatores citados. Os estados do Sul, hoje com pouca representatividade no abastecimento, costumam ganhar peso em novembro e dezembro, com o início da colheita dessa safra.
Na cebola, a expectativa é de aumento da participação sulista a partir de novembro e dezembro, mas as perspectivas atuais indicam safra menor na região. Entre os fatores que podem ter influenciado a decisão dos produtores, a Conab cita os preços observados na safra 2025/26 e as incertezas climáticas previstas para o ciclo.
No tomate, o alerta é de outra natureza. Com a oferta apertada, produtores passaram a enviar aos entrepostos frutos ainda verdes para atender à demanda corrente. A companhia registra que esse movimento reduz o volume de frutos que estará disponível posteriormente e pode limitar a oferta nos períodos seguintes.
As avaliações constam do Boletim Hortigranjeiro divulgado em 22 de setembro, que acompanha dez Centrais de Abastecimento — São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Campinas, Vitória, Curitiba, Florianópolis, Recife, Rio Branco e Fortaleza.
Agosto trouxe alívio, setembro já virou
Na média ponderada das dez Ceasas, os preços das principais hortaliças recuaram em agosto na comparação com julho. A alface teve a maior queda, de 14,8%, a R$ 5,06 o quilo. A cebola caiu 13,8%, a R$ 3,88, e a batata recuou 11,6%, a R$ 2,63. A cenoura ficou estável, a R$ 4,05. O tomate foi a exceção do grupo, com alta de 18,13% e preço médio de R$ 4,03. Entre as frutas, o mamão teve a maior baixa, de 10,9%, a R$ 5,05.
O boletim acompanha também os quinze primeiros dias de setembro, comparados à média de agosto. No tomate, a alta apareceu em todas as praças citadas: 58% em Belo Horizonte, 57% em Curitiba, 53% no Rio de Janeiro, 43% em Fortaleza e cerca de 35% na Ceagesp. A Conab aponta oferta insuficiente para atender à demanda, temperaturas mais baixas retardando a maturação e chuvas no Sul e no Sudeste dificultando colheita e envios.
A referência que o boletim usa para dimensionar o movimento é a caixa de 22 quilos do tomate italiano. O preço mais comum era de R$ 70 em julho, passou a R$ 120 em agosto e alcançou R$ 180 na primeira quinzena de setembro — alta de 50% sobre setembro de 2025 e de 157% sobre o mesmo mês de 2024.
Na batata, as chuvas nas áreas produtoras do Sudeste reduziram as remessas, e a elevação chegou a 44% na Ceagesp e a cerca de 50% na CeasaMinas. A cebola seguiu o mesmo caminho, com altas de 30% em Brasília, 29% em Recife, 28% em Curitiba e 23% na Ceagesp.
A cenoura foi a exceção. A safra de inverno sustentou a oferta e os preços caíram ou ficaram estáveis, com recuos de 16,2% em Belo Horizonte, 15,3% em Maracanaú e 11,2% na Ceagesp.
Contra 2025, o quadro é outro
Medida contra agosto do ano passado, a cebola está 115,6% mais cara na média ponderada, com variação de 123,4% na Ceagesp. A cenoura acumula alta anual de 67,4%, e a batata, de 52%.
A Conab dá a mesma explicação para os três casos: em 2025, a oferta foi mais que suficiente para atender a demanda, as cotações caíram e isso desestimulou os produtores a manter o mesmo patamar de produção neste ano.
Em agosto, a batata que chegou às Ceasas veio majoritariamente de São Paulo, com 52% do total, e de Minas Gerais, com 27%. No tomate, Minas e São Paulo dividiram a liderança, com 30% cada. Na cebola, os dois estados somaram metade do volume, à frente de Goiás, com 21%.
Os valores do boletim são de atacado nas Centrais de Abastecimento, em média ponderada pela quantidade comercializada, e não correspondem a preço de gôndola.


