Conab projeta safra de grãos em alta com arroz e feijão em queda
Arroz e feijão, itens da cesta básica nacional, recuam 13,2% e 3,6%, enquanto a produção total sobe 2,6%

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta queda na produção de arroz, feijão e trigo na safra 2025/26, em levantamento divulgado nesta terça-feira (15). As três culturas integram a Cesta Básica Nacional de Alimentos, definida no Anexo I da Lei Complementar 214/2025, e recuam enquanto a produção total de grãos avança, sustentada por soja e milho.
O arroz deve somar 11,08 milhões de toneladas, queda de 13,2% em relação ao ciclo anterior. A retração reflete principalmente a redução de 14% na área plantada, calculada em 1,52 milhão de hectares, apesar do ganho de 1% na produtividade média. Segundo o levantamento, a opção por menor área decorre de preços menos remuneradores ao produtor e da migração para culturas como soja e milho.
O feijão tem produção estimada em 2,95 milhões de toneladas, recuo de 3,6%. A área cultivada caiu 5,7%, enquanto o rendimento médio cresceu 2,2%. Para o abastecimento doméstico, a Conab projeta demanda de 2,7 milhões de toneladas, mantendo o patamar da safra passada.
O trigo, matéria-prima de farinha, pão e massas, registra o maior recuo entre as principais culturas, com 5,74 milhões de toneladas e queda de 27,1%. É a única das três em que produção e produtividade caem ao mesmo tempo: a área diminuiu 21,2% e o rendimento médio recuou 7,5%.
Soja e milho em alta
A produção brasileira de grãos deve alcançar 361,7 milhões de toneladas na safra 2025/26, alta de 2,6% sobre a temporada anterior e de 0,3% frente ao levantamento de agosto. A soja está projetada em 180,4 milhões de toneladas, a maior produção já registrada na série de acompanhamento da Conab. O milho soma 144 milhões de toneladas, crescimento de 2%. Os dados são do 12º Levantamento do Boletim da Safra de Grãos.
Chuvas e El Niño nos próximos meses
Para os próximos meses, a previsão climática apresentada no levantamento indica cenários distintos. Em grande parte do Norte e do Nordeste, as chuvas devem ficar abaixo da média. Já a Região Sul tem previsão de chuvas acima da média, com risco de excesso hídrico em áreas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Segundo a Conab, o quadro decorre da persistência do fenômeno El Niño entre setembro e novembro.
A Companhia informa que continuará atualizando os dados das culturas que permanecem em campo nos próximos levantamentos.


