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Oferta de maçã até fevereiro depende do estoque das câmaras frias

Conab projeta alta mais acelerada das cotações entre outubro e fevereiro e descreve o intervalo como o de maior poder das classificadoras na formação de preço

Varejo News

· 3 min de leitura

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Oferta de maçã até fevereiro depende do estoque das câmaras frias

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta que as cotações da maçã devem crescer de forma mais acelerada a partir de outubro e até fevereiro, intervalo que a companhia descreve como aquele em que as empresas classificadoras têm o maior poder de determinar preços. Depois desse período, a entrada da nova safra no mercado deve reduzir as cotações. A avaliação está no Boletim Hortigranjeiro de setembro, volume 12, número 9, que analisa a comercialização em dez centrais atacadistas no âmbito do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort).

A colheita da safra 2025/26 foi concluída e a fruta está integralmente acondicionada em câmaras frias. Para a primeira quinzena de setembro, a Conab registrou preços estáveis na maioria dos entrepostos, com poucas elevações e quedas, e avalia que a tendência é de alta suave à medida que os estoques forem consumidos.

Em agosto, a média ponderada do preço da maçã nas Ceasas pesquisadas ficou em R$ 6,42 por quilo, com alta de 2,72% sobre julho. Os valores são de comercialização no mercado atacadista e não correspondem ao preço de gôndola, e estão expressos em termos nominais, sem correção pela inflação. As maiores altas ocorreram na Ceasa/ES, em Vitória, com 10,54%, e na CeasaMinas, em Belo Horizonte, com 10,51%. A Ceagesp, em São Paulo, registrou R$ 6,99 por quilo, com alta de 3,28%. A maior queda do mês ocorreu na Ceasa/AC, em Rio Branco, com 41,39%.

A oferta subiu na maioria dos entrepostos em agosto, com destaque para a Ceasa/SP, em Campinas, com 42%, a CeasaMinas com 22% e a Ceasa/PR, em Curitiba, com 15%. A Conab associa o aumento à distribuição da fruta na primeira quinzena do mês, período de maior demanda por conta da volta às aulas e do poder aquisitivo do consumidor no início do mês. Depois desse período, a companhia registra queda da oferta, sobretudo das maçãs graúdas classificadas como Categoria 1, em especial na variedade gala.

No caso da fuji, cuja colheita começou e terminou mais tarde que a da gala, os estoques em câmara fria estavam maiores em agosto, embora a taxa de escoamento tenha começado a aumentar. Os preços se estabilizaram no fim do mês, movimento que a Conab atribui ao menor poder aquisitivo do consumidor naquele período.

Santa Catarina e Rio Grande do Sul concentraram o abastecimento. Em agosto, os entrepostos receberam 18,26 mil toneladas de maçã catarinense e 10,26 mil toneladas da gaúcha, ante 3,16 mil toneladas de São Paulo, num total de 33,76 mil toneladas. As remessas catarinenses cresceram 18,41% e as gaúchas 8%, enquanto o fornecimento paulista recuou 2,86%. As principais microrregiões de origem foram Campos de Lages e Joaçaba, em Santa Catarina, e Vacaria e Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul.

O período também foi marcado por movimentação atípica no comércio exterior. As exportações brasileiras de maçã nos primeiros oito meses de 2026 subiram 254% sobre o mesmo período de 2025, com faturamento 244,4% maior, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços citados pela Conab. A temporada exportadora começou em março, teve pico em maio e encerrou em julho, com destino principal para Índia, Bangladesh, Arábia Saudita e Rússia, além de países europeus em volume menor. A companhia atribui o salto à safra mais elevada do ano. No sentido inverso, as importações de maçã comercializadas pelas Ceasas subiram 52,2%, e o boletim registra 1,14 mil tonelada de fruta importada entre as origens de agosto.

Para o próximo ciclo, a Conab registra que o acúmulo de horas-frio nas regiões produtoras de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul foi satisfatório, o que indica grande possibilidade de bom desenvolvimento das plantas.

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