No Brasil dos extremos, o Ovomaltine escolheu um lado: exclusividade para o Méqui
Desde 2016, o Bob's vende o milk-shake sem poder citar a marca; o produto foi rebatizado como Crocante, e a exclusividade migrou para uma rede com maior número de unidades

Colunista · Franchising

A rede carioca de fast-food Bob’s
criou o Milk Shake Ovomaltine em 1959. Décadas depois, era o maior
cliente brasileiro da marca, vendia milhões de milk-shakes e havia
transformado o produto em parte da sua cultura.
O Bob’s
carioca e o Ovomaltine suíço formavam o casamento perfeito.
As
pesquisas mostravam consumidores que compravam o sanduíche no
McDonald’s e depois iam ao Bob’s comprar o milk-shake. O Bob’s
possuía um produto suficientemente forte para fazer o consumidor
atravessar a praça de alimentação e comprar de um concorrente.
Em
2016, isso mudou.
No episódio do podcast Desmarketize-se,
João Branco recebeu Silvia Amaral, presidente responsável pelas
marcas Ovomaltine e Twinings no Brasil. Dez anos depois de o Méqui
conquistar a exclusividade do uso da marca em milk-shakes, contaram
causos interessantes dessa história.
O McDonald’s tinha
receio do grande impacto operacional que o Milk Shake Ovomaltine
provocaria nas lojas: leite, sorvete, flocos, bate; leite, sorvete,
flocos… Preferiu implantar primeiro o milk-shake de chocolate da
Kopenhagen, com menos etapas de preparo, para somente depois lançar
o sabor exclusivo Ovomaltine.
O Bob’s segue vendendo seu
tradicional milk-shake com Ovomaltine, mas, sem o direito de
associá-lo à marca, rebatizou o produto como Crocante.
Segue
sendo o meu predileto.
Outro dado interessante contado no
podcast é que houve acréscimo nas vendas de sobremesas e sorvetes
com Ovomaltine à medida que o consumidor passou a encontrá-lo em
mais redes e em uma variedade maior de ofertas.
O meu, o
nosso, Rei do Mate lançou com sucesso o brigadeiro de Ovomaltine,
obviamente licenciado pela marca.
E existe uma
particularidade brasileira.
A crocância do Ovomaltine é
uma característica do produto brasileiro. Criado na Suíça e hoje
pertencente aos britânicos da Associated British Foods, o Ovomaltine
encontrado em outros países não apresenta da mesma maneira aquela
que, para muitos consumidores brasileiros, tornou-se sua maior
virtude: os flocos crocantes.
Um ajuste das máquinas no
Brasil fazia os flocos não se dissolverem completamente; a
característica agradou e a fórmula foi adaptada ao consumidor
brasileiro.
Ao mudar de lado, do Bob’s para o
McDonald’s, em 2016, o Ovomaltine ficou ainda mais na boca do povo.
Bem falado e desejado pelos consumidores.
Cada um tem o
seu milk-shake preferido.
Eu, que já fui franqueado do
Bob’s, asseguro: cada cliente pede um tipo de consistência. Ora
mais crocante, ora mais misturado ao sorvete. Uns pedem praticamente
em formato de sorvete. Outros, muito bem batido, como um suco
grosso.
E o que faz toda a diferença é o supercanudo
grosso, específico para milk-shakes. Um detalhe operacional que
parece pequeno até você tentar beber um milk-shake daqueles com um
canudo comum.
Assim como as franquias fizeram toda a
diferença para a popularização do Ovomaltine neste país tropical
e quente.
Ao escolher um lado e, principalmente,
aproveitar a pulverização das unidades franqueadas, a marca
conseguiu ficar ainda mais próxima dos desejosos de uma crocância
gelada.
Saiu de uma rede brasileira que ajudou a
transformar Ovomaltine em sinônimo de milk-shake e foi para uma rede
com mais presença nacional, que multiplicou sua exposição e
distribuição.
O Bob’s ajudou a construir o desejo,
sendo o Méqui que ampliou o alcance, e o franchising colocou o
Ovomaltine na boca, literalmente, do povo.


