Milho de Ouro cresce mais de 20% em 2026
Fabricante da marca Lobits atribui o desempenho a distribuição regional com exclusividade por área, automação das linhas e ampliação da marca para todas as categorias

A Milho de Ouro, indústria brasileira de snacks de milho com duas fábricas em Embu das Artes (SP), acumula crescimento superior a 20% em 2026, em um ano de retração para o varejo.
O contraste é com o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), que registrou queda real de 3,9% nas vendas do setor em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2025 — o 16º mês consecutivo de retração em termos reais e o pior resultado para um mês de setembro desde 2020.
O cenário de consumo também aperta. Pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 81,7% das famílias brasileiras estavam endividadas em setembro, pouco abaixo do recorde de 82% dos meses anteriores, e 29,6% tinham contas em atraso.
Na gôndola, a pressão aparece em duas frentes. A cesta de 35 produtos de largo consumo acompanhada pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) subiu 6,52% no primeiro semestre. E as marcas próprias do varejo cresceram 10,9% em volume no acumulado do ano até junho, ritmo 3,8 vezes superior ao dos demais produtos, segundo a NielsenIQ.
Segundo o diretor-executivo da Milho de Ouro, Pedro Rodrigues, o consumidor sob orçamento apertado não deixa de comprar, mas passa a escolher com mais critério — e procura um produto cuja qualidade reconheça, a um preço que considere justo e que encontre com facilidade na prateleira. Para ele, é esse posicionamento que sustenta o crescimento da empresa no ano.
Distribuição regional com exclusividade por área
A empresa aponta a chegada ao ponto de venda como fator central. O modelo combina atendimento direto ao varejo com uma rede de distribuidores regionais que operam com exclusividade por área. Segundo Rodrigues, esses parceiros conhecem o mercado local, repõem com agilidade e levam a marca a supermercados, atacarejos e comércios de bairro, o que reduz a dependência de poucas grandes redes e garante presença em canais diferentes.
Os produtos da companhia estão hoje em mais de 20 mil pontos de venda.
Automação, roteirização e ampliação da marca
Nas fábricas, a automação das linhas reduziu a variabilidade do processo e o consumo de energia e de matéria-prima por unidade produzida, com indicadores de perda acompanhados por etapa. Na logística, a roteirização das entregas e a consolidação de cargas tornaram o frete mais eficiente. A produção atual é de 700 toneladas por mês, sobre capacidade instalada de 1.400 toneladas.
No marketing, a principal mudança foi a ampliação da marca Lobits, que passou a atuar em todas as categorias da empresa para facilitar o reconhecimento na gôndola. A mudança veio acompanhada da ampliação de portfólio, com linhas que exploram ingredientes, apelo nutricional e experiência de consumo, permitindo à marca ocupar faixas de preço mais altas, afirma o executivo.
As fábricas têm certificação IFS Global Markets, norma internacional de segurança de alimentos, com controles do recebimento do milho à embalagem final.
Fundada em 1992, em Amparo (SP), pelo casal Spencer e Darlene Rodrigues, a Milho de Ouro tem mais de 220 colaboradores.


