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Preço do café cai no atacado, mas Conab não projeta queda expressiva nas cotações

Indicador Cepea/Esalq do arábica fechou a R$ 1.564,02 por saca em 29 de setembro, queda de 10,55% no mês; companhia cita estoques baixos, demanda mundial e El Niño como fatores de sustentação

Varejo News

· 3 min de leitura

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Preço do café cai no atacado, mas Conab não projeta queda expressiva nas cotações

O indicador Cepea/Esalq do café arábica fechou em R$ 1.564,02 por saca de 60 quilos em 29 de setembro, queda de 10,55% no acumulado do mês. O indicador acompanha o mercado físico do grão, que é a matéria-prima comprada pelas torrefadoras, e não o preço do produto industrializado vendido ao varejo.

No varejo, o café moído recuou 1,36% no IPCA-15 de setembro, divulgado pelo IBGE em 25 de setembro, quando o item ficou entre os destaques de queda da alimentação no domicílio, ao lado do feijão carioca, com -6,33%, e da cebola, com -4,41%. O IPCA-15 de setembro considera preços coletados entre 15 de agosto e 15 de setembro. O IPCA cheio do mês será divulgado em 9 de outubro.

Segundo o Cepea, a desvalorização do arábica em setembro é influenciada pela conclusão da colheita da safra 2026/27, pelo ajuste positivo da produção brasileira e pela recuperação dos estoques certificados na Bolsa de Nova York. Os pesquisadores do centro apontam ainda o regime de chuvas, cujos volumes garantiram umidade do solo no período de abertura das flores e afastaram, durante a maior parte do mês, o receio de restrição hídrica.

O Cepea registra, no entanto, que os preços voltaram a subir nos últimos dias de setembro, por causa do calor intenso e da ausência de chuvas, o que preocupa cafeicultores quanto ao pegamento das flores.

A safra que está por trás

A produção brasileira de café em 2026 está estimada em 67,6 milhões de sacas de café beneficiado, o maior volume já registrado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com 99% da área colhida. O número é do 3º Levantamento da Safra de Café 2026, divulgado em 24 de setembro, e representa alta de 19,6% sobre 2025.

O arábica responde por cerca de 70% do total, com 48,2 milhões de sacas e crescimento de 34,8%. Minas Gerais concentra 34,96 milhões de sacas da espécie. O conilon, usado em blends e em linhas de entrada, segue direção oposta: 19,4 milhões de sacas, queda de 6,6%, puxada pelo Espírito Santo, onde a florada irregular causada por baixas temperaturas reduziu a produção da espécie em 14,3%.

A área em produção está estimada em 1,95 milhão de hectares, crescimento de 5,1%, e a produtividade média nacional passou de 30,4 para 34,6 sacas por hectare.

O que a Conab pondera sobre os preços

A Conab registra que as cotações internacionais estão sob pressão de baixa pela entrada da safra brasileira no mercado, pela aproximação da colheita no Vietnã e pelo aumento sazonal da produção colombiana no último trimestre. A companhia pondera, porém, que não são esperadas reduções expressivas, em razão do baixo patamar dos estoques atuais, do aumento da demanda mundial e das previsões de El Niño no ciclo 2026/27, que podem afetar negativamente a produção em vários países.

A produção mundial no ciclo 2026/27 está prevista em 189,7 milhões de sacas de 60 quilos, alta de 6,1% e recorde, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), citado pela Conab. O consumo mundial previsto é de 179,7 milhões de sacas, alta de 3,6%.

No comércio exterior, a exportação brasileira de agosto foi a maior já registrada para o mês: 3,8 milhões de sacas de 60 quilos, alta de 43,2% sobre agosto de 2025, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. No acumulado de janeiro a agosto, porém, o país exportou 24,6 milhões de sacas, volume 6,6% inferior ao do mesmo período do ano passado.

A estimativa de 67,6 milhões de sacas é de safra em andamento. O número definitivo será apresentado pela Conab no 4º e último levantamento, com a colheita encerrada e os grãos beneficiados.

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