Carnes da ceia chegam a outubro com suíno em alta e aves em queda
O Cepea registra alta do suíno vivo em outubro e queda nos preços do frango diante da maior oferta desde o fim de 2025; no IPCA-15 de setembro, carnes acumulam 10,20% em 12 meses, enquanto aves e ovos recuam 4,61%, e a produção nacional de peru segue abaixo de um terço do volume de 2017

O suíno vivo subiu 9,17% em São Paulo e 6,29% em Santa Catarina na primeira semana de outubro, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), enquanto a carne de frango opera com preços em queda e a maior oferta no mercado doméstico desde o quarto trimestre de 2025. Os dois movimentos ocorrem no mês em que o varejo alimentar fecha a compra das carnes de fim de ano.
Em 7 de outubro, o Indicador Cepea/Esalq do suíno vivo foi registrado em R$ 6,31 por quilo em São Paulo e em R$ 5,58 por quilo em Santa Catarina, estado com o maior rebanho suíno do país.
O Cepea associa a alta à maior demanda pela carne suína combinada à oferta restrita de animais, com produtores ajustando o peso de abate para evitar excesso de oferta no mercado interno. O centro registra ainda que os preços dos cortes, que vinham apresentando desajuste em relação ao restante da cadeia, também começaram a subir.
O ano do suíno
Em setembro, o Cepea havia registrado a primeira valorização do suíno vivo em 2026, após sucessivas quedas ao longo do ano. Naquele levantamento, os cortes ainda recuavam, em sentido contrário ao do animal.
O ano foi o pior da série histórica do centro para o suíno vivo, iniciada em 2002. Em abril, a queda real acumulada do animal passava de 30%, considerado o deflacionamento pelo IGP-DI. No mercado atacadista, a carne acumulava baixa real de 30,1% pelo IPCA e estava no menor patamar desde fevereiro de 2019. Em levantamentos daquele período, o Cepea atribuía o quadro ao desequilíbrio entre oferta e demanda no mercado interno, com produção elevada e consumo doméstico enfraquecido, mesmo diante de demanda externa aquecida.
Frango com oferta elevada
Pelos cálculos do Cepea, a oferta de carne de frango no mercado doméstico somou 2,25 milhões de toneladas entre abril e junho de 2026, o maior volume desde o quarto trimestre de 2025, com preços em queda.
O centro registra que a proteína avícola vem perdendo competitividade diante da carne suína e que, no fim do ano, os cortes tradicionais de frango tendem a perder espaço para as aves natalinas e para a própria carne suína.
Nas projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) para 2026, a disponibilidade interna de carne de frango deve chegar a cerca de 10,275 milhões de toneladas, com crescimento de até 3,1%, e o consumo per capita a 48,1 quilos por habitante, ante 46,7 quilos em 2025. Para a carne suína, a entidade projeta produção de até 5,870 milhões de toneladas, volume 5% superior ao de 2025.
Carnes acumulam dois dígitos no IPCA-15
No IPCA-15 de setembro, divulgado pelo IBGE em 25 de setembro, o subitem carnes subiu 1,30% no mês e acumula alta de 10,20% em 12 meses. No mesmo levantamento, aves e ovos recuaram 1,26% no mês e 4,61% em 12 meses, e pescados caíram 0,82% no mês.
O grupo alimentação e bebidas variou 0,40% em setembro e acumula 4,40% em 12 meses. Dentro dele, a alimentação no domicílio subiu 0,38% no mês, após recuar 0,97% em agosto.
Peru e chester
Segundo a ABPA, a produção brasileira de carne de peru gira em torno de 140 mil toneladas por ano, contra 390,48 mil toneladas em 2017, maior volume já registrado pelo país. A produção nacional é destinada principalmente à exportação.
O chester é marca registrada e não espécie, e é produzido com foco nas comemorações de fim de ano. O ciclo até o abate leva cerca de 50 dias, contra aproximadamente 42 dias do frango convencional.
Campanha no ponto de venda
A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) e a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) realizam de 1º a 18 de outubro o movimento Vai de Carne Suína, com termo de cooperação e parceria institucional assinado entre as entidades e apoio de 27 associações estaduais de supermercados. A ABCS disponibiliza gratuitamente ao varejo material para pontos de venda e canais digitais.
Segundo dados da NielsenIQ divulgados pela ABCS, a venda de cortes suínos registrou avanço de 13,6%, ante 5,3% do frango e 3,5% da carne bovina.


