Abramat reduz projeção de 2026 para 0,5% após semestre negativo; acabamento recua 2,1%
Faturamento deflacionado da indústria de materiais de construção caiu 3,4% no primeiro semestre; entidade aponta juros e endividamento das famílias entre os fatores

A indústria de materiais de construção terá um ano mais fraco do que o previsto. A projeção de crescimento do faturamento deflacionado do setor em 2026 passou de 1,9% para 0,5%.
A revisão veio depois do fechamento do primeiro semestre, que registrou retração de 3,4% na comparação com o mesmo período de 2025. No acumulado de 12 meses, a queda é de 3,8%.
Os dois grandes blocos de produtos seguem em ritmos distintos. Na comparação anual, os materiais básicos crescem 1,4%, enquanto os de acabamento recuam 2,1%. Os básicos acompanham mais de perto o ritmo da construção.
No mês isolado, houve reação. Em junho, o faturamento avançou 1,9% sobre maio na série dessazonalizada, com alta de 2,4% nos materiais básicos e de 1,5% nos de acabamento. Na comparação com junho de 2025, porém, o resultado ficou estável.
Para Mauro Franco, presidente executivo da Abramat, o resultado de junho indica que a indústria preserva capacidade de reação, mas o desempenho do semestre ficou abaixo do esperado e exigiu a revisão das projeções. Ele afirma que a recuperação deve continuar no segundo semestre, em intensidade menor do que a projetada anteriormente.
Entre os fatores que explicam o quadro estão a manutenção da taxa de juros em patamar elevado, o alto nível de endividamento das famílias e o desempenho abaixo do esperado do Programa Reforma Casa Brasil.
A restrição do consumidor aparece em outro indicador. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgada em 8 de outubro, mostra que a proporção de famílias endividadas caiu de 82% em agosto para 81,7% em setembro, a primeira redução de 2026. No mesmo período, o tempo médio de atraso das dívidas subiu pelo segundo mês seguido, para 65,3 dias. O comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas atingiu 28,85% em setembro, o maior nível desde 2022, segundo dados do Banco Central.
O indicador que mede o faturamento deflacionado da indústria de materiais de construção é apurado mensalmente, com base em dados oficiais e pesquisas com associados. A edição mais recente disponível ao público é a de junho de 2026, divulgada em 16 de julho.


